Pulgas, Pulgas, Pulgas. Para qualquer lado que me vire encontro sempre uma. É à frente, é atrás, é em todo o lado, mas no colo é onde poisam. Perseguem-me. Fujo, escondo-me, mas encontram-me. São pequeninas e saltitam muito, dificilmente as agarro porque não param um minuto. Não há no mundo pulgas como estas, porque são: "As minhas Pulgas".

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Setembro aqui tão perto

Sempre funcionei melhor no mês de Setembro. Eu explico. Enquanto que para a maioria das pessoas o início do ano é em Janeiro, para mim é Setembro. E sabem porquê, não sabem? É porque o ano lectivo começa nesse mês. Todos os projectos para o ano (lectivo) fazem-se aqui e agora. É a reunião geral de professores, é o conhecer novos docentes, alunos, salas, enfim, um manancial de emoções, desejos, de ideias que ficam guardadas na gaveta da memória para sempre. Por muitas voltas que o mundo dê, por muito que eu esteja satisfeita por estar aposentada, neste mês dá-me uma saudade e as lembranças afloram aos meus olhos e revejo-me com aquele frenesim próprio dos docentes no mês de Setembro.
Uma vez docente, docente sempre, mesmo aposentada.

Um Bem haja a todos os professores, principalmente aqueles que abraçam com amor esta carreira. E que, como eu, sentem que ser professor é uma bênção, é ter orgulho, é sentir que nunca nada está feito, é o" ir-se fazendo", aprendendo a ensinar, ensinando a aprender, e aprendendo sempre porque ninguém nasce professor.
"Um Bom Ano" é o desejo que formulamos neste mês; é a frase usada para cumprimentar quem por nós passa dentro do espaço que se chama: Escola.

E porque hoje estou de descanso...

...Quer dizer, tenho Pulgas a saltar aqui à minha frente, mas estou de perna estendida. E porque as minhas férias estão para chegar...( pronto, eu já sabia que iam fazer esse ar de espanto!
Atão os aposentados não têm férias? Não merecem? Como? Não percebi! Estão sempre de férias? Nã nã nã. Eu só recebo subsídio de férias uma vez e não todos os meses, isto quer dizer que s´agente recebe um subsídio de férias é porque temos um mês de férias, não é?

Chega! Acabou! Não vamos a lado nenhum com esta discussão. Ináfe (inglês)
E ainda antes das férias tenho um jantar para preparar; é só na Sexta-feira, mas tenho de fazer a ementa...

Além disso, tenho um segredo para dizer, e conto com a vossa discrição para guardá-lo a sete chaves e se precisarem tenho aqui mais um molho, se sete não chegam...
Ah pois, e com esta discussão  esqueci-me do que prà qui vinha. Esta cabeça de abóbora cheia de pevides! Bem, tenho de ir e...deixem de puxar pelo vestido, caramba. Não me atrasem.

O quê? Fazem sinal ali, não percebo o que dizem... Degredo? Arvoredo? Penedo? Cedo? Folguedo? Pulguedo? Medo? hummmm, estou tão surda! mexem os lábios, mas não percebo o que dizem...
Segredo? Qual segredo?! Guardei-o tão bem guardado, atafulhado nas quinquilharias das Pulgas, que não sei onde está; tenho de procurar primeiro. Tou a modos que irritada por termos discutido. Detesto.

Não me digam que nunca guardaram um segredo bem guardado! E se é segredo...

fotografia: Jacarandá no Funchal

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

dor de jaqueta (como se diz por aqui)

Sabem quem não dormiu a noite passada, sabem? Quem não dormiu fui eu. Malvada insónia que me atacou. E depois, por não ter dormido, deu-me "uma dor de jaqueta" que me pôs a piscar o olho todo o dia. Hades arder no inferno depois de morta, sua relaxada, e enquanto viveres, hades sofrer por me teres feito andar de "bagalhonça" aberta toda a noite. Não saiu do meu lado, a sacrista da insónia, canão quando o galo do Armando (o meu vizinho) cantou. E todo o dia andei com um olho aberto e um fechado por causa tua.
Mas não perdes por esperar, um dia vou ficar acordada só para te infernar a noite.
E por isso, fujam da minha trás, tou cu diabo no corpo.

A depôs...

...De tanto me convencer que ontem (domingo) era sábado, olhem, fiquei pasma! Atão não é que arrumei a casa toda? Sabem, aquelas limpezas do catano que dá uma "cangueira" nas pernas para começar e a depôs de começar não há forma de parar? É mais ou menos quando temos mestres em casa, a obrar, (credo, obrar em madeirense é evacuar/defecar), e que: já agora que está aqui, rebente mais um coisinha; olhe já agora...cave mais um pouco, olhe mestre, já agora... deite a parede abaixo e foi exactamente isto: Já agora!...Limpas, mudas os lençóis, pões roupa a lavar, aspiras...
Mas, poça, só depois é que me lembrei que era domingo e o domingo fez-se para preguiçar que nem gato ao sol, além disso é dia santo de guarda e não se trabalha; mas só depois de ter a cabeça à roda de tanto limpar!
Estepilha, fiquei reinando, por só me lembrar depois da limpeza estar feita! Ah, se não me virem por aqui, é que ainda estou a limpar.

Fotografia: Balsamo num jardim do Funchal.

domingo, 28 de agosto de 2011

Será que ainda chego a tempo...

...De desejar: Bom fim de Semana?

Eita, perdi-me nos dias! Para mim, quinta-feira foi sexta, sexta foi sábado, sábado foi domingo e hoje domingo, sábado. E só depois de olhar o calendário é que arregalei as "bagalhonças" ou seja estes olhinhos verdes-azulados, cor da terra molhada sem erva à mistura e vi os dias. E situei-me; acertei o passo. Afinal havia-me perdido nos dias! Baralhei-os.
E esqueci-me de desejar Bom Fim de Semana. Sei que é tarde, mas enfim...

Sabem, estes últimos dias têm sido assim como os foguetes; no momento que estão cá em baixo já estão lá em cima a estalar. E com a pressa de os deitar ao ar, não queimei os dedos, mas queimei a língua. Não, não soltei os foguetes com a língua nem os meti na boca, não fiquem preocupados, estou caduca, mas não tanto, lá virá o dia. A gulodice, essa reles malvada é que me queimou a língua. Rás parta o molho do frango estufado à moda do campo, com arroz de coentros. Quente, abrasando!
E para finalizar ainda me fez uma afta na língua. Não há o direito! Pagar este preço por um naco de frango é muito. E sempre que me magoa, coloco a mão na cabeça e penso: mas, caramba, Avogi ,tás tonta, tás? Não viste o fumo que saía da panela?

Fotografia: Flor do "maracujaleiro"

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Olha, ouvi dizer...

...Que a irmã do Cristiano Ronaldo e a (irmã) de Ruben Micael andaram à pancadaria num arraial?

Eita, e vamos dar uma-viva-pra-que-viva às manas deles: VIVA! Braços no ar, e agora  movimentar de um lado para o outro.
É assim mesmo manas, o dinheiro não compra a boa-educação, mas a discussão.
E alguém sabe qual foi o motivo? Se sabem digam, não guardem este assunto, é que eu só ouvi dizer e não contaram pormenores nem a razão da batatulina ou batatadas trocadas (até nem ter havido nada e seja a voz do povo), mas eu cá penso que deve ter sido: bolas. Ou seria, dinheiro?
Ou "o meu irmão é melhor que o teu" ou "o meu irmão tem mais dinheiro que o teu", "o meu irmão marca mais golos que o teu" e por fim "se o meu irmão "tivesse" aqui levava mais nas trombas que o teu"

Para quem não sabe, Ronaldo e Ruben são ambos madeirenses (um do Funchal outro de Camara de Lobos), provenientes de famílias de fracos recursos ou sem recursos, ambos jogam futebol em Madrid (um no Real  outro no Atlético), e usam o futebol para subir na vida ( nada contra), mas, esqueceram-se de apostar na educação da família. Pena!


É assim mesmo, ó Constantino.

O meu amigo Constantino, que é guardador de vacas...não, não é nem Contantino nem guardador de vacas, mas até podia ser se ele quisesse, tem, além do blogue com este nome, outro  "O Predatado" no qual fala de assuntos muito interessantes. Atão depois de ler o artigo ali de baixo sobre o penso higiénico escreveu também sobre outro assunto, relacionado com educação: "O das mijinhas nos carros feitas pelos cães sob o olhar atento dos donos".
Ide e espreitem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Estou aqui...aqui...para dizer...estou aqui...para dizer...

...Não pensem que estou a cantar a música da novela: "Vingança", nem estou vendo Os Anjos. Estou aqui por outro motivo.
Ora bem, isto hoje vai pegar de galho, e cheguem-se, faz favor, bem pertinho de mim; é melhor puxar dum banquinho, esse mesmo, e sentem-se.

Hoje vou falar para as meninas que usam as casas de banho públicas. Principalmente aquelas que mesmo com o período não deixam de ir à praia.
Meninas, filhas, oiçam bem o que vou digo e aprendam, que eu não vou durar sempre, por isso não vou andar a repetir a mesma coisa. Não é uma missão impossível e por isso não se desintegra dentro de 5 segundos.

Quando forem à casa de banho pública, e se estão com o menstruo, ao tirarem o penso já ensopado até mais não, não deitem virado para cima no balde, como se estivesse a sorrir para quem entra. É que se vocês têm nojo dele, que é vosso, nós também temos.

Queridas meninas com o menstruo, sabem, hoje em dia os pensos vêm em embalagens individuais e devem fazer assim: vá, vão lá acima e tragam um e façam conforme eu digo para aprenderem. Primeiro, antes de tirar o penso das cuecas - o usado, abram o saco individual do novo; tirem o penso - o novo, colem num joelho para não cair ao chão. Tirem das cuecas o usado, e enrolem com a parte suja para dentro; repito, com a parte suja para dentro, e assim não sujam as mãos, e enrolem no plástico donde tiraram o fresquinho. Fica assim como um charuto; e, usem o auto-colante para fechar. Sabem, não abre, nunca mais. Agora sim, deitem no balde do lixo e colem o fresco nas cuecas. Sabem, é que ver o penso a olhar, a rir de quem entra de seguida, satisfeito por ter cumprido o seu dever (de ensopar) dá aquela vontade de...ir à procura da menina que fez isto e colar o penso nas costas. Mórbido, não é?

O pior da festa é...


...Ter de lavar uma imensidão de copos, pratos, talheres. Panelas, estas sim, deixam de rastos as costas cá da gente. Calha bem que é tudo boa gente e faz como se fosse para remissão dos pecados, afinal somos todos pecadores e precisamos de redimir. Há quem redima a rezar; nós por cá redimimos a lavar e a arrumar os despojos do dia anterior. Nao há o direito! Na próxima querem ver que vai pratos e talheres de plástico? Calha bem que eu na pressa de servir toda a gente não como, por que se há coisas que me enerva e faz saltar a brotoeja e a comichão na hemorróida é servirem-me em plástico. Mas, seguindo a linha de visão de alguns, poucos,  portugueses: "para mim, não obrigada, mas para os outros, porta-me lá!" por que não?

(estou a brincar com coisas sérias, seria incapaz de servir alguém, na minha mansão, em pratos de plástico! Nem toalhas, quanto mais...pratos, talheres, copos. Mas que dava um alívio às costas, lá isso dava, a sério!)

Fotografia. Isto vai indo, e enquanto eu, formiga rabiga no carreiro, a correr de um lado para o outro a Mimi e o Dom Fuscas, esperneiam ao sol. Ai, vida de gato é triste! Mas a da gente é maastrischt (piada caseira)!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Uma tarde tão bem passada!

Ora bem, a tarde de ontem foi tão proveitosa e era meu desejo que houvesse mais tardes assim. Era bom sinal.


Quem não gosta de mexer em dinheiro? Quem não gosta do cheiro do dinheiro? Do sabor dele ou de saborear as aquisições feitas com o dinheiro? E de contar moedas, gostam?

Poizé, a tarde foi aproveitada a separa as moedas. Uma reunião de pai, filho e espírito santo à volta da mesa. De um cêntimo para um lado, dois cêntimos noutro prato, cinco..e por aí adiante. Primeira etapa cumprida. Ah, mentira, a primeiríssima, portanto, antes da primeira foi pesar o dinheiro. Dez quilos de moedas!
Depois de separadas, agora sim: a contagem. Colocadas em grupos ou contadas em molhos, fazendo contas de cabeça (que ainda está boa para o efeito) ou tão somente, contar de uma a uma e multiplicar a quantidade pelo valor da moeda (mas a mim, que estou a contar e a ouvir o que se passa em redor, é mau, muito mau, a meio esqueci-me e voltei atrás, chiça, irritante) no total deu uma coisa de ... não digo, ora bolas, tenho de dizer tudo, tenho? Ou querem saber? Dedinho no ar para contar os curiosos.
E voltou-se ao principio: colocar em sacos as moedas de um, dois, cinco, dez, vinte e cinquenta cêntimos.

Leiam o comentário deixado pelo Greg (que é o mê bisalho) no artigo anterior, façam contas de somar ou de sumir e digam lá: um...dois...três...quanto estava no mealheiro?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mas esta malta tem cada ideia!

O telemóvel do mê bisalho ("bisalho" é um termo madeirense que significa pintainho) estragou-se. Então pediu aos amigos e família que em vez de prendas em roupa, lhe dessem dinheiro para, juntamente com o dele, comprar um telemóvel. Toda a gente aceitou a ideia e, claro, no dia de anos houve uma chuva de envelopes. Os amigos que têm umas ideias engraçadas juntam-se para a partida que lhe fazem sempre. Já houve bilhete para bundee jumping (logo ele que tem vertigens e não anda de montanha russa), depilação a laser, um piaçá (sim, eu sei, é piaçaba, mas nós aqui dizemos assim).

Ora este ano como era dinheiro ofereceram-lhe um mealheiro cheio de moedas de um, dois, cinco, dez e cinquenta cêntimos, além de moedas de um e dois euros e algumas notas.
Perguntei a uma delas (antiga aluna minha) se tinham levado muito tempo a recolher as moedas. Não, responde ela, fui ao supermercado e pedi para trocar as notas pelos saquinhos de moedas.

Mas as Pulgas, principalmente o mê Gu-Gu, deliraram com tantas moedas. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Curso de contorcionismo, precisa-se!

As Pulgas quando estão cá (casa da avó) na hora de ir dormir vamos em bando como as gaivotas para o ninho. Ora, a minha cama é das antigas pois eu casei há...já não me lembro quando, mas sei que casei. A cama não cresceu, mas a família, sim. As Pulgas vão para a cama. E eu. É caso sério. Mas, do que me queixo não é da cama, para essa não há solução.

O meu problema é a falta de contorções e torções do corpo. Devia de ter sido artista de circo, mais precisamente, contorcionista; poder colocar um pé na nuca, ou os dois, tirar o chapéu da cabeça com um pé e com o outro fumar cachimbo, enfim, agora  podia satisfazer as Pulgas. Penso que não há remédio para esta falta de ginástica corporal que me aflige. A mim e a elas.

Na cama, a Pulga: "Avó, dá-me a mão." ao que prontamente estico o braço e dou-lhe uma mão. De seguida, em jeito de eco, a Pulguinha: "Avó, dá-me a mão." Desejo satisfeito. Dou-lhe a outra. Depois, depois é que a porca torce o rabo, ou não torce, se torcesse era como pôr um pé na nuca e seria uma ajuda danada. O mê Gu-Gu também pede a mão.

É o caos, o Apocalipse, o fim do mundo, a desdita de não poder usar os pés como mão. Como posso satisfazer três Pulgas? É aqui que entra o contorcionismo ou a falta dele. Eu era capaz de enganar uma se conseguisse colocar uma perna por cima do ombro. Seria como a terceira mão. Caramba, é igual: 5 dedos, 5 unhas, e de noite elas, as Pulgas, nem dariam pela diferença.
A minha dúvida persiste e se me ajudarem sou capaz de atenuar o problema. O que fazer? Tirar um curso intensivo de contorcionismo? Arranjar uma mão falsa? Caramba, poça, caneco, que coisa.

Fotografia: As Pulgas (fêmeas) no quintal, a fazer o que melhor sabem: brincar.

Muitos tem quiús

É o mesmo que dizer obrigada pelas mensagens de parabéns ao meu bisalho.
A festa acabou, mas o corpo ainda se ressente da "estrafega" do trabalho, mas quem corre por gosto não cansa, não é mesmo? Não cansa, mas mói os ossos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Fim de semana, pois então. E o Bisalho faz anos

E este é para comemorar os anos do mê bisalho. 27 anos de vida. ? digo eu! Como o tempo passa! Não passa, corre, nem dá tempo para apanhar e só ficam as recordações.
E porque ele fez anos dia 18, e só chega hoje (o rapazinho trabalha, e trabalha muito, ainda por cima longe das suas raízes) foi tudo planeado à distância. E como sempre família e amigos reunidos à volta da fogueira, a sério, literalmente, é  rrrrrrrascacheco (churrasco, dito pela Pulguinha).

No que toca a amigos, bem, é complicado dizer quantos são, nunca sei bem, pois é mais ou menos como o baile da quermesse: vem e traz um amigo e esse que traga um (amigo) também. E depois, são os amigos dos pais, amigos da irmã e amigos dele, praí umas tantas pessoas. No fundo, somos todos amigos e quem não é passa a ser. A modos que sim.

Mas uma coisa digo com toda a certeza e verdade: amigos dos meus filhos, meus amigos são. Amigos meus, deles são. E siga a festa!

Parabéns Bisalho.

Fotografia: Ele, o bisalho. Bonito! Oiço dizerem baixinho. E eu digo: obrigada.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ouve e cala-te!

O avô dizia do alto das escadas para as Pulgas que estavam no andar de baixo, no covil, como amorosamente chamo ao salão onde elas passam a maior parte do tempo, pois tem brinquedos, televisão, espaço; acima de tudo, espaço; e como contava eu antes de me perder nas divagações, explicações e outros ões, o avô recomendava: juízo aí em baixo! Mas num tom que metia respeito.
Pulguinha que tem resposta na ponta da língua e expede logo que abre a boca disse, no mesmo tom de advertência que o avô usara para elas: Juízo aí em cima!  
 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Como se interessasse para alguma coisa!

Fui à médica do Planeamento Familiar, ao Centro de Saúde (não, não estou grávida, credo, essas cabeças e esses olhos já arregalados!) fazer o exame citológico, aquele que nos colocamos na mesma posição que os frangos no talho do supermercado; e, se antes a médica, nas outras consultas estava como que atrás de uma espécie de muro, tão distante (ou para manter as distancias,  quiçá), hoje, até foi uma simpatia. Parecia que éramos velhas amigas do banco da escola primaria.

Ao responder ao questionário, em chegando às habilitações académicas, ela pergunta: ensino básico...secundário... e dali não saía. Repetiu secundário... Respondo eu: Licenciatura.

E foi aqui que se deu a mudança! Era sorrisos de mostrar todos os dentes; era perguntas sobre filhos, era o tempo, as férias...

Eu fiquei estupefacta! Se nas outras consultas era um vê-se-te-avias, ou isso-não-é-da-minha-competência; hoje, já não era para aviar e tudo era da sua competência.
Pergunto: muda alguma coisa ser ou não licenciada? Têm ou não direito ao sorriso da senhora doutora (e a serem bem tratadas) as pessoas com o mínimo de escolaridade? Os licenciados devem ir ao privado?
Ou a médica julgou que por usar os serviços da Segurança Social não possuo uma licenciatura?
Interessa para alguma coisa?

E agora tá na hora de dizer: tens razão! Tens toda a razão!

Eis aqui a fatia que sobrou.  Moreno, escuro, fino, como eu disse. É um objecto de desejo.
Agora, não quero outra coisa. Querem-me bem-disposta? Metam-me na boca uma fatia dele. Querem que me cale? Ataquem uma pela boca abaixo. Querem ver-me feliz? Ofereçam-me um quilo de pão alemão com pistachio e passas.

Ao meu lado estava uma amiga que não o conhecia e logo que pedi, ela, tungas, pede também. E sabem? Não quer outra coisa, disse-me ela.
É ou não é uma delícia, hã?
Ah, desculpem, não provaram. Como dizer que é bom? Fiquem com  minha palavra. Eu digo. É bom, sim senhora.

E se já experimentaram o alemão com nozes? E com passas? E com passas e nozes?
Vão por mim, e de carreira sigam em frente até à padaria e assim que nem eu, alto, para demonstrar a certeza, com determinação, peçam: "Uma fatia de pão alemão com passas e nozes. Se não tiver pode ser alemão com pistachio e passas, e, se não tiver, atão, alemão com passas; mas tem de ser alemão."

terça-feira, 16 de agosto de 2011

E quando menos se espera nasce uma paixão

Foi assim que aconteceu comigo.

 Não estava preparada para isso até porque há muito tempo que me habituara ao mesmo. Mas, num de repente, quando houve aquela troca de olhos soube que tinhas de ser meu. E ali ficaste especado, sem te mexer, sem pelo menos te movimentares. Bem, também não podias; estavas entre outros, espremido. Escondido. Mas eu vi-te, e desde esse momento nada mais contou. Sonhava contigo, imaginava-me a trincar-te, a passar a língua, nem digo mais. Foi aquela chama, aquela certeza que ia gostar do toque, da fragrância.
Mas será possível que eu, uma mulher madura, nada preparada para inovar de um momento para outro tenha de sair de casa só para te ver?

Não me apetecia mudar. Juro. Estava habituada, como já disse. Mas a tua cor!...Sim, foi pela tua cor que me apaixonei. Moreno. Escuro. Fino. E eu que dizia que só gostava de brancos!
Mas ao ver-te a seres cobiçado por outras, não resisti. E em alto e bom som para que todos os presentes ouvissem disse: "Quero uma fatia de pão alemão com pistachios e passas. Sim. Esse aí."
E elas, as outras, olharam para mim. E trouxe-te na boca. A morder-te.
Pão. Apaixonada por um...pão!?

E garanto, coisa mai boa na padaria não há.
Vou ali só confirmar que a  fatia está onde a deixei. Já volto para mostrar a fotografia dele. Eu mostro, sim. Mas, é meu e só meu.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Não há condições! Nem emenda!

Estava na cozinha atarefada como uma formiga, de um lado para o outro, quando assento os pés em frente ao mesão (bancada da cozinha), apoio os cotovelos, baixo a cabeça e limpo as lágrimas que teimosamente e estupidamente caem nas costas da mão. Fico assim, a sentir o rio, a torrente de água pela cara abaixo.

 Entra o mê senhor para me pedir algo. Pára. Escuta e olha. Ao ver-me naquela posição e tristezinha, com a cara molhada e a fungar...

 Diz-me ele: - Não chores! Eu só estou a dois metros de ti. Estou mesmo ali, basta virares a cabeça para a esquerda e vês-me.- E ria, a gozar de mim, o "estapoure"
Digo-lhe: - Eu sei! E senhor, basta saber isso para me invadir uma tristeza; por te saber a dois metros de mim! Tão longe! - Mais uma fungadela. E mais um passar de mão pelo nariz.

- Então, enxuga as lágrimas. Eu volto daqui a pouco.
- Não. Fica. - Digo-lhe imperativamente - E acaba de cortar a cebola. Já!

(Não há forma de cortar a cebola sem chorar e já experimentei de tudo. Só me faltam duas formas, e sim nunca mais vou chorar: uma, é pôr o me senhor a fazer este servicinho; e outra, é nunca mais usar cebola. Eu choro, mas como-a toda.)

Fotografia: Tomates, cebolas e pimentos cá da horta biológica. Uma delícia.

sábado, 13 de agosto de 2011

Fim de semana. Pois então vamos ao Pestana Grand Hotel

E este é comprido, pois há o feriado do 15 de Agosto na segunda feira, dia da padroeira da Madeira. Por aqui há festa rija: o arraial de Nossa Senhora do Monte. 
Por isso desejo aos que por aqui passarem um BOM FIM de SEMANA, pois então!

 Não se esquecem de se divertir. Divirtam-se, aproveitem a vida, que a bem dizer é tão curta e merece ser vivida em pleno. Se forem ao arraial, dancem, pulem, comam, bebam, subam paredes, arranquem cabelos (os vossos), gritem, e seilhá que mais, mas deixem a tristeza em casa. Se não forem (ao arraial)...olhem façam exactamente a mesma coisa ( saltem, pulem..), mas tenham um verdadeiro e agradável Fim de Semana. E, sobretudo, riam porque uma sonora gargalhada relaxa o corpo. Se estão em casa sozinhos, sorriam, nem que seja à frente do espelho porque o acto de sorrir é uma mensagem ao cérebro a comunicar que estamos bem.

Fotografia: Piscina do Pestana Grand Hotel, Ponta da Cruz Funchal

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meu querido mês de Agosto

Mês de emigrantes, festas na aldeia, arraiais, saudade, abraços, beijos, juras de amor. Amor (e)terno...até acabar. Agosto, mês do desgosto. A verdade é este ditado popular, esta crença, ou superstição não é só portuguesa, mas internacional.

O que sei é que na altura em que eu andava pa casar...(andei para casar desde o dia em que nasci; era como ser talhada para o casamento. E, desde esse dia, de tesoura em punho, procurava um bom tecido para meter ao corte. Depois, lá encontrei o tecido que a meu jeito, mas)...não queria casar em Agosto, vá lá a profecia ser engraçada; tornar-se real e só haver desgosto no casamento. (Bato no tampo da mesa do PC três vezes e digo: lagarto lagarto lagarto e com a outra mão cruzo os dedos) 

Mas como tenho medo, bem, melhor dizendo, não é medo, é pavor aos desgostos, e respeito estas profecias, deixei para casar em Janeiro. Sim, em Janeiro, não fosse a profecia se estender até ao final do ano. E antes que prevenir que remediar.
E, atão, como sempre nos meus brindes, elevo o copo no ar, e peço que o mê senhor...nunca fique viúvo. Não lhe quero dar esse desgosto!

E já agora quem acredita nestas profecias, ditados populares, crenças e afins? Alguém casou em Agosto? Se responderem ficarão habilitados a um sorteio...( mentira, estou a brincar, é só para afastar o desgosto)

Fotografia: E Agosto deu-me um gosto: ir à horta de cesta em punho apanhar estas abóboras e couves.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um dia ainda faço gato escalfado com molho à chefe

Atão, não é que deixei três fatias de lombinho de porco já assado para o nosso jantar (que nestes dias tem sido "remedeios" é que a vontade escasseia) em cima do mesão da cozinha e como ando sempre atarefada com coisas pendentes para fazer; assim que regresso à cozinha vejo o senhor Dom Gato Fuscas a descer, aliás, a saltar; e digo logo para mim: "Queres ver que o sacristo do gato comeu as fatias de porco?"

Só me apercebi do esquecimento (de guardar no frigorífico) quando vi o "estapilha" do bichano a lamber os bigodes. Assim que o vi a passar a língua nos beiços, olho para o mesão onde outrora estavam as fatias e ...cadelas? Ai, levou uma "tapona" no rabo. E por sorte não foi mais que fugiu assim que me viu.

Soube-te as três fatias de porco? Atão agora tás três dias a jejuar. Não há forma de fazê-lo entender que a carne é para nós e ele só come os restos. Caramba!

Fotografia: O Fuscas. É que também não entende que não é o sítio certo. Só depois de uma traulitada no lombo, aí sim, foge arrependido e entende logo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Obrigada

Agradeço os comentários deixados no anterior artigo. Saibam que as palavras chegaram ao coração.
É sempre reconfortante saber que temos alguém que de uma forma ou de outra sente como nós. A tia-velha partiu, mas a sua memória  fica aqui registada. E naqueles dias em que a tristeza invadir não há como ler as peripécias da tia-velha e assim relembrar a forma como viveu.
A meu ver teve uma vida preenchida e preencheu a vida de todos nós.

E por que a vida segue, depois de uns dias de luto, há que cuidar dos vivos. Não serei fria como Marquês de Pombal e usando a sua frase: "mortos ao chão, vivos ao pão", mas entendo que há que seguir em frente, lembrando o passado recente.

Por isso, lentamente, entro...
Obrigada mais um vez, mais tantas vezes. Sempre.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tia-velha

A tia-velha partiu às quatro da manhã.
Deu entrada no hospital pelas 21 horas acabando por falecer de madrugada.
Neste momento encontra-se ao lado dos seus ente-queridos: a mãe, o pai, a sua mana (por quem chamava todo o dia para ajudá-la) irmãos, marido e sobrinhos.
Que o Céu a receba com todas as honras a que tem direito.
Descanse em Paz.
Até um dia...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De um dia para o outro eu sou a salvação

O defunto Rendimento Mínimo Garantido e renascido Rendimento de Inserção Social deve ter acabado para  muitos portugueses?

Isto porque as minhas vizinhas, que vivem num bairro social perto da minha casa e que passavam todo o dia pela minha porta, secando as unhas de gel, rindo a bandeiras despregadas,  mostrando o telemóvel topo de gama, oferecido por quem trabalha (e dizem elas que é o Senhor Governo que dá o dinheiro) assim como quem vira um disco tudo mudou e de repente as idas e vindas ao café escassearam.

Elas, que antes viajavam em bando pelo caminho chão até ao café; elas, que não cumprimentavam cá a senhora da casa, ou seja eu e Moi- Même quando estávamos no quintal a: lavar, varrer, limpar, escafiar, de um momento para outro é só sorrisos, bons-dias, tá boa; eu, que sou delicada ainda cumprimento agora Moi-Même, essa roda a saia e continua a varrer. Agora é só sorrisos, mas sorrisos daqueles que vão de um lado a outro; elas, que antes viravam a cara assim que me viam, agora não me largam a porta. Ah, e mais, até duas já puxaram pelo badalo a perguntar se  preciso de uma empregada. Precisar até preciso, mas a custo zero. Coitadas, devem achar que eu trabalho de mais ou que sou rica ou ainda que aqui há dinheiro. Pensando melhor, têm  pena de mim ou delas próprias. Mas eu, também sinto uma peninha pequenina delas, sim senhora. Muita pena, mas também tenho falta de dinheiro e, vizinhas destas que só olharam para mim depois da falta do Rendimento, não obrigada.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Agora digam lá com sinceridade

Quais são os pecados capitais?

Não são as capitais dos países, nem dos distritos, que isso sei muito bem até de cor e salteado de trás para frente e de dentro para fora, nem de branqueamento de capitais, que, como o Omo torna tudo mais branco só temos de lavar o capital com este sabão e prontes, deu-se um branqueamento, nem tão pouco dos pecados que fazemos nas capitais que esses também fazemos nas vilas, nas aldeias, nos sítios e até nas veredas; falo de pecados, daqueles vícios que dizem ser sete. É que da forma que me sinto hoje em completo estado de irritação tenho cá por mim que inventei um oitavo pecado capital: a esgana.

Ai, acudam-me, prendam-me os braços e as pernas também, que só me apetece esganar o primeiro que tropece no meu caminho.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Há coisas que valem pela simplicidade


O jantar de domingo costuma ser na CDS (Casa Da Sogra), mas está doente, por isso jantámos em casa. Um belo dum churrasco, acompanhado de salada cá da horta, uma sangria feita pelo mê senhor (ele é que é o levadeiro) e pão  de Santana.  Mesa no quintal, tira do lume e come com as mãos, chupa dedos que não há guardanapos. Melhor do que isto? Só isto mesmo. E lá ficámos sentados a derreter as calorias. A respirar o ar puro, e o cheiro do churrasco, e o fumo, e o jantar do vizinho que era bacalhau.

666 e o Génio do Mal

Seiscentos e sessenta seis é o número da Besta,  do Diabo, vá lá. Do Anti-Cristo.
Dizem que: O Anticristo será um homem que surgirá em meio às crises mundiais existentes, de forma que sua aparição surpreenderá o mundo. Seu governo se tornará, num curto espaço de tempo, num forte governo mundial unificando com sucesso todos os blocos de relações económicas e políticas existentes no momento. Com a finalidade de trazer a paz".

Isto a propósito dos filmes que tenho visto nestas noites num canal da televisão. Mas caramba, eu sei e não acredito em bruxas ( mas tendo em atenção o que diz Cervantes...), nem em bonecos diabólicos, mas causa-me sempre um mal-estar ver estes filmes.
Vi o "Génio do Mal". (Aliás dois de seguida. Acabou um começou outro, nem deu tempo a respirar). Aquele que o rapazinho chama-se Damien e tem o 666 no couro cabeçudo, e mata sem dó nem piedade: mãe e pai?

Ainda ontem era um boneco ventríloquo que matava pessoas. Eu vejo, mas depois sinto um arrepio que percorre desde o alto da cabeça até à ponta dos pés. Assim como um choque, uma descarga eléctrica. O pior é que tapo-me toda até ao nariz (deixo-o de fora para pode respirar, mas tapo a boca para não gritar, estou a caçoar) . Começo a olhar para o tecto do quarto e já vejo baratas, sombras que se movem, ruídos de fundo, bafo no pescoço. "Almas do outro mundo", penso. Fico cagadinha de medo, mas não consigo desligar a televisão ou simplesmente mudar de canal. Não. Eu vejo até final e quando chega ao fim, dá-me aquela vontade fazer um chichi e não saio da cama.
Portanto tenho medo, mas não admito que tenho.

E isto porque olhei para o número de seguidores e vi 666. Vá de retro Santanás.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

E foi com muito prazer...

...Que fiz o que fiz. Poderia ter feito mais.

Deixaste-me sem jeito e sem palavras. Agradeço a visita à minha ilha. Fico sempre sensibilizada quando alguém de quem se conhece daqui deste mundo virtual nos parece tão familiar.
Ainda bem que gostaste.

Vejam as fotos da minha ilha, do meu porto de abrigo, do meu farol. Visitem a LEBASIANA do blogue PURA ESSÊNCIA.
E sempre que precisares de mim usa e abusa que eu deixo. E, já agora, se alguém precisar é só dizer, estou sempre disponível para ajudar.
Obrigada. Um grande, mas grande mesmo, abraço daqueles que cortam a respiração.

A minha cabeça já foi uma boa cabeça, agora...só vestígios

De comando na mão, e parada ao lado da porta do co-piloto, vulgo pendura, espero que o mê senhor abra a porta. Como não ouvia o som característico do fecho centralizado, olho para ele. Ele, espera ao lado da porta do condutor pelo mesmo som a indicar que as portas estão destrancadas. Ou seja, à espera que eu carregue no botão. E assim ficamos os dois, com o carro entre nós: eu à espera dele, ele à minha espera.

Até que...
- Abre a porta do carro. - Peço-lhe, por estar há muito tempo dependurada com sacos na mão.
- Hã? Abre tu. - Diz ele.
- Mas se tu é que tens o comando!... - replico, apontando para ele. E, olhando para a mão...

"Ó diacho, quem tem o comando sou eu!" digo, ao sentir o "esteporado" do bicho a morder-me os dedos.

Fotografia: Porto de recreio, Machico, costa sul, Madeira