Pulgas, Pulgas, Pulgas. Para qualquer lado que me vire encontro sempre uma. É à frente, é atrás, é em todo o lado, mas no colo é onde poisam. Perseguem-me. Fujo, escondo-me, mas encontram-me. São pequeninas e saltitam muito, dificilmente as agarro porque não param um minuto. Não há no mundo pulgas como estas, porque são: "As minhas Pulgas".
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mas afinal! Comer sopa logo de manhã!?

Ao jantar (ontem) fui chamar a tia-velha para se sentar à mesa. Nós já tínhamos jantado mas ela estava a repousar por isso, deixei-a.
Lá vem arrastando as pernas, as pantufas quase a saírem dos pés, bengala numa mão a outra a segurar-se pelos cantos da casa (agora não vem directamente, vem pelos ângulos da casa para se manter apoiada à parede)
Ponho a sopa e logo começa a cantilena destes dias: não quero mais, não posso mais, tou cheia, não tenho vontade.
Insisti para comer e logo dispara: "mas também, comer sopa logo de manhã, ao pequeno-almoço!"
Resta dizer que era noite cerrada assim de um azul meia-noite.

terça-feira, 24 de maio de 2011

E depois...

...De uma bela manhã de domingo eis que a tia-velha acha de escorregar e pumba mais um bate-cu!
E...a perna: a mesma, a de sempre. A perna manca, cambada, a da placa no fémur, a da semana passada, a que tem 86 anos (ou será 43, uma vez que tem duas?) voltou a ficar emperrada. Eu acho que a cabeça é que está emperrada e não a perna, mas isto sou eu que não percebo do assunto e, de medicina fujo a sete pés.
E novamente a mesma cena de há dias: ambulância e (já estava boa, não doía nada) hospital. Raio à pa(r)ta, perdão, raio X à perna, queria eu dizer. Resultado: nada. Tá boa! Como o milho "estraçoado". E desta vez o médico recomendou uma coisa que ela adora: Repousar.
E prontes já lá está qual Bela Adormecida na cama. Só deve rezar para que não apareça o príncipe para o beijo de despertar .

domingo, 15 de maio de 2011

E eu não digo que a tia-velha tira-me o juízo?

Se eu antes dizia que ela queria-me tirar o juízo agora digo que já tirou, não restam dúvidas.

Mas... vamos lá a sentar num banco... pensando melhor escolham a poltrona, a melhor, a mais confortável que houver por aí que hoje vai avançar um filme. Um far-west, um drama ou uma comédia, quiçá, terror depois classifiquem...

Ontem à tarde a tia-velha caiu. Deve ter sido o seu quingentésimo bate-cu. A lembrar: já fracturou o úmero, o fémur (tem uma prótese) os punhos.

Mas ontem caiu e sabem onde? Pois, eu também não sei. Nem ela. "Foi ali em baixo" disse. Mas a coisa até estava razoável, ia à casa de banho com ajuda...até chegar às seis da manhã e não poder andar. Ambulância em casa pelas seis e meia e fomos ao hospital. Ortopedia. (A ala crítica desastrosa do hospital do Funchal. Meti-me num ninho de vespas.)
Às 9:30 foi atendida raio-X já o Gu-Gu me esperava na rua. "É  melhor ir" disse  a enfermeira "se calhar vai subir ao bloco operatório." Assim que chego a casa telefonam para a ir buscar. Teve alta hospitalar.
Ora aqui é que a porca torce o rabo ou seja além de torcer, deu o nó.

Tinha um Jeep na garagem (eu ainda sei conduzir) sem cadeira de bebé (para levar o Gu-Gu) e a tia-velha não entra nele nem aos empurrões.
Liguei à minha filha e foi buscar a tia-velha. Ao chegar a casa, diz-me: "Ela não vai subir as escadas! Para entrar no carro foi um custo."
- Ai vai-vai nem que seja d´ arrasto - digo eu. (Ela agora pesa 50 quilos, mas já pesou 85)

E começámos o transporte da tia-velha pelas escadas acima. Cena digna de um filme. Eu à esquerda, Quicas à direita, a meio o peso-morto (ai Jesus, mas é verdade não dava conta de nada) ou o peso pesado. O braço da tia-velha no meu pescoço e como não se segurava, meto o sovaco dela em cima do meu ombro e seguro-lhe na mão para fazer força, o meu esquerdo na sua cintura, como se fossemos um casal de namorados enlaçados. A minha filha a puxar pelo braço direito da tia. E combinávamos: "vamos subir três degraus." Um dois três descansa. Subimos aos soluços. A tia-velha no ar quase a cair...Mas subiu.
"Eu tou a suar" dizia ela.
Quer dizer, eu é que carreguei 25 quilos (que a minha filha carregou os outros 25) ela é que transpira.
E agora estou aqui "emantada das arcas." E ela jazz ( pois está sempre a tramelar) na cama.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ai se era de ouro!...

Estava eu de rabo ar, assim como quem perde a guerra, na tentativa de agarrar um brinquedo que estava debaixo do sofá (mas o pó era tanto!...Mentira, estou a brincar, não era muito) quando chega a tia-velha. Aproxima-se, vê-me naquela posição pergunta se perdi alguma coisa.
Respondo que perdi um brinquedo...
- Era de ouro? - pergunta ela.
Ora, por aqui tudo é de ouro até os brinquedos das Pulgas. É sim, acreditem. Eu tenho o toque de Midas, por isso não há nada abaixo disso.

(Sim titia, se não fosse de ouro...se fosse só de prata punha-me de joelhos e não de cu para o ar com os cotovelos apoiados no chão e o nariz debaixo do sofá a levar com o pó "nei ventas" de cada vez que inspiro.)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

86 anos... é uma vida!

A tia-velha faz hoje 86 anos embora para ela sejam 82, estejamos em Setembro e o Domingo de Páscoa ainda está para vir. E Sábado foi Sexta-feira Santa.
E não é que hoje é Segunda-Feira? Pela primeira vez vai acertar no dia.

Sábado o meu genro perguntou-lhe: - Então Dona Alice, quando faz anos? Resposta: - A 9 de Maio. - E quando é? - Pergunta ele.- Não sei - responde.
Diz a minha filha: - É segunda feira.
- Aaaaah!....- responde abanando a cabeça em sinal afirmativo como soubesse e era mesmo isso que lhe faltava: confirmar.
E pergunto eu: - E que dia é hoje, titia?
- Segunda-feira.

Não necessito falar do sentimento que nutre por nós e nós por ela; nem necessito de dizer o quanto ela é importante na minha vida, o quanto fez por mim e por todos os sobrinhos (meus irmãos) ao ponto de rejeitar uma oportunidade de trabalhar na escola que frequentou (uma escola de freiras que tinha por hábito convidar as alunas com mais requisitos para a educação pré-escolar) porque...

Aos treze anos começou a cuidar dos sobrinhos para que a mana (minha mãe) pudesse trabalhar... Anos mais tarde mais dois desta vez sobrinhos-netos (os meus filhos)
E  isto para mim é...prescindir da sua carreira, da sua individualidade e autonomia em prol da família, principalmente dos sobrinhos. Não teve filhos (não sei porquê) mas esteve sempre rodeada por crianças.

E resta dizer que a sua paciência, e predisposição para crianças continua, desta vez com o Gu-Gu. São dois companheiros de brincadeiras. E é vê-los juntos!

Por isso PARABÉNS tia-velha e se possível venham mais uns.

Fotografia: Tia-velha.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Eu não digo que a tia-velha vai tirar-me o juízo?

Hoje saímos de tarde. Fui com o mê senhor e o Gu-Gu deitar o raio dos papéis do totoloto, euro-milhões, loto e tudo o que existe, mais o Joker (eu jogo em tudo não me sai nada mas quando sair... nem digo nada) a ver se contrato uma enfermeira para tratar a tia-velha (tou a brincar).
Ora lá se foice os três rindo e cantando, tia-velha fica a tomar conta da casa e se fosse não chegávamos a tempo de deitar os boletins.
Não demorei muito, fui num pé e vim noutro. Entro e nem preciso de abrir a porta! Estava já aberta! (A porta de acesso ao interior da casa).
O diacho da velha estava na rua. E quem estava dentro de casa?
Acertaram se disseram os cachorros. E já tinham mijado (desculpem a linguagem, feito chichi) no tapete, na esquina do baú e onde mais? Bem, onde lhes deu na real gana. Pena, pena que não mijaram na cama dela, canão o castigo era dormir no mijado!...

E digo mais... logo deitei lixívia numa esfregona e limpei as poças, claro que o mê Gu-Gu agachou-se e de joelho em terra tirou a cor das calças!... Portanto chegou de manhã de calças azuis e partiu de calças amarelas.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A minha cabeça já foi uma boa cabeça, agora...só vestígios

Ao chegarmos a casa a tia-velha que é a primeira a entrar senta-se na cadeira onde costuma passar as tardes, logo de seguida entro eu à frente do mê senhor. Ela, da cadeira olha para ele e ...
- Boa-tarde, tá bom? - Assim como se não o visse há long time ago. E tínhamos acabado de chegar todos juntos!

E digo, daqui a nadinha a minha cabeça fica assim como que virada do avesso. O diacho da velha está a tentar pôr-me a cabeça como a dela, mas não vai conseguir ou eu não me chamo ...
Espera...Como me chamo eu?...Não, eu não me chamo, nunca me chamei, nem preciso, porque eu estou sempre ao meu lado, sempre comigo, e assim que abro a boca para me chamar eu já cá estou; por isso não me chamo, mas...como me chamam?  Hã? É esse o meu nome? O nome que mais oiço todo o dia? É esse? Já não me lembrava!

Hoje que dia é? Segunda-feira? Ah pois, eu sabia!...É que de tanto responder à tia-velha que sim é segunda feira já não dou pela mudança dos dias. E se lhe digo que não, e caio na arara de dizer o dia correcto daí a pouco volta à segunda-feira.

O que é para o jantar? Frango? Sim, eu até já como frango todos os dias por que todos os dias é frango como é segunda feira. Cá para mim esta minha tia deve ter sido galinha numa outra vida e se não foi vai ser. 
As pastilhas! Já tomei as pastilhas, hoje? Meia volta...volta e meia...Todo o dia a cacarejar, perdão a falar! Ai se eu fosse capaz de lhe meter uma batata quente a escaldar na boca!...
Ai diacho, tou a ficar doida...esta mulher dá-me cabo do canastro! O meu juízo onde está o meu juízo? Onde? Alguém viu?

(Eu ainda não estou tonta nem esquecida e ainda tenho paciência para aturar esta gralha, pois eu também fui uma gralha e ela aturou-me.Como também aturou os meus filhos por isso devo-lhe muito É assim como que uma retribuição por serviços prestados. Mas para lá caminho, se um dia eu me perder vai ser difícil de me encontrar! Encontrem-me!)

Vejam as fotografias do meu rural, entrem por aqui. Obrigada.

sábado, 16 de abril de 2011

Já encontrei

Eita "aquilho" é que foi procurar! Só Deus sabe. E só o diabo é que pode explicar porque razão os dentes estavam debaixo do colchão bem lá no fundo onde só mesmo ele (o diabo) chega. E eu.

Mas como pôde ela levantar o colchão, que é pesado como ferro, para lá guardar? É por isso que ando aqui com a brotoeja aos saltos a me interrogar! Tenho em mim um desejo de lhe perguntar se tem namorado! Mas como é esquecida além de mentirosa vai negar. "Uora" se vai!

Mas que foi preciso levantar o colchão foi e ela sozinha não consegue, lá isso tenho a santa certeza. Vou passar a estar mais atenta...
Aos dentes? Não. Aos velhos!
Ah, obrigada aos que se juntaram à corrente de oração pela recuperação dos dentes. Só a força do pensamento chegou.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

E é de joelhos no chão

Isto hoje pegou no duro "uora" se pegou! É verdade, preciso de gente, muita gente para procurar a dentuça da tia-velha. Venham todos, sempre é melhor do que eu sozinha.

Há dois dias que desapareceu. Mas por que raio tira ela aos dentes para dormir? Dormir implica tirar dentes? Não percebo, só percebo que desde ontem que ando aqui de rabo pó Céu...(desculpa Emanuel...não é o cantor qu´esse nã tá no Céu) a procurar no quarto dela...bem...o quarto é o do meu bisalho, mas não há  forma de aparecer.

Sim, já procurei aí onde está a pensar, também aí debaixo da cama, em cima também, por debaixo dos lençóis, na enxerga, nos armários; dentro do edredão, nas prateleiras, nas gavetas, só falta despejar o quarto e virá-lo do avesso se fosse possível já o teria feito seria bem mais fácil. Ou então virá-la, até pode ter engolido.

Pedi-lhe para procurar. Resposta: Já procurei. Dirige-se para o quarto, entra e vira-se, vê-me aparecer e pergunta-me : o que é que estou a procurar?
Respondo: os dentes!                      

Depois ...
- Já encontrou? - pergunto, vendo-a sentada de mãos no regaço.
- O quê? - caput, já não se lembrava dos diachos.
- Os deeeeentes!
- Eu já chorei por causa dos dentes eu já rezei a ver se aparecem! - diz-me.
- Ah, não procurou. Pensa que o Emanuel vem cá abaixo procurar? Atão vamos rezar as duas e chorar as duas.- dito isto sentei-me ao lado dela, rezei com ela e chorei também, mas os filha da dona não apareceram.

Bem, enquanto tamborilam os dedos na mesa do computador e sopram ao mesmo tempo que pensam: "coitada da tia-velha nas mãos desta sobrinha" vou até lá acima a ver se encontro, mas antes levantem o dedo para a contagem. Sempre quero ver quem é que me ajuda nesta tarefa!

Fotografia: Funchal, visto do cabo girão

quarta-feira, 30 de março de 2011

Eu podia ter ficado rica se fossem pepitas de ouro

Limpei, aspirei, encerei a casa toda; fui a todos os cantinhos. Receber gente em casa é caso para limpar e escafiar. Sabem, é que há sempre alguém que olha para os sítios recônditos onde está uma teia, uma poeira ou até mesmo uma bola de pó ou de cabelo.

Acabei e digo, podia-se passar a língua no chão. Eu não fiz, mas podia ter feito não havia um cisco. Fiquei com a alegria toda e, inchada que nem um pavão, abri as narinas e inspirei aquele aroma de casa fresca e asseada. O chão bem encerado até me vi reflectida nele. Olhei, sorri e suspirei. Ainda passei as mãos nos cabelos. Era mesmo um espelho!
Andei sempre a inspirar, tanto que tinha a sensação de que engordara, é que há quem engorde só com o ar (mas cá para mim que nada sei, dizem que não comem nada e rebentam pelas costuras. É ar é ar!)

Fiz um café estiquei as pernas. Chamei a tia-velha para o lanche. Café e bolachas.
A tia -velha levanta-se logo após o lanche...até parece que tem de entrar a horas e está atrasada!
Só fui ao escritório, vulgo casa de banho, fazer o que ainda não tinha feito.
À saída, olho para o chão. Pepitas brilhavam. "Ouro" pensei. "Petróleo não é deve ser, não escavei! Ouro. Estou rica!"
Salpicos aqui e ali formavam um carreiro e indicavam a casa de banho (esquerda), a sala (direita) e a descida para a rua (frente).

Agacho-me que a vista não alcança ao longe.
Qual pepitas, qual ouro. Torradas, migalhas de torradas a formarem um T.
Só pode ter sido...
Ai malvada tia-velha que me tira do céu e tem a afronta de me dizer na cara que "não comi nem torradas  nem bolachas".
Ai não? Então recebeu um velho, foi? - perguntei.
Olha, ficou toda ofendida. Caramba!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mas estes dias passam por nós sem os vermos

Fui ao "Funchial" ou "cidiade" (é assim que algumas pessoas dizem) entre as quatro e as seis e a tia-velha ficou em casa como é perfeitamente aceitável; pois que ir com ela para a cidade teria de sair de véspera e só chegaria à noite do dia seguinte (isto para não exagerar) além de parar, encostar e sentar em todo sítio e estar sempre cansada. Por isso fica em casa e porque eu vou num pé e venho noutro.

(Adiante para não me perder e começar a fazer um caldinho de peixe e acabar numa sopa de carne que é o mesmo que começar num assunto e acabar num outro ou...pumf....esquecer-me, como já me aconteceu por isso: fecha parêntesis).

Atão a tia-velha ficou em casa.  Deixei a porta trancada porque ela tem uma tendência de ir para a rua, estando sol ou chuva. E chapéu para o sol ou para  a chuva os grades já roeram, por ter deixado no quintal.

Ao chegar a casa dei por falta dela. Procuro em todos os cantinhos onde ela poisa. Vou ao quarto e... está a dormir uma soneca.
Acordo-a dizendo: "Venha tomar um cafezinho". E claro, logo pula p´la cama fora pois a "viceira" é tanta no café que até corre.
Chega à cozinha e:
- Bom-dia - diz, esticando o pescoço (ela é baixinha) como um passarinho para o beijo matinal.
- Boa-tarde! E já deu beijos hoje (é que sempre que se cruza com alguém espeta o pescoço para o beijo). Não está de manhã. Olhe para o relógio. São seis horas da tarde! - Disse-lhe.
Olha para mim com cara de zangada...e se pudesse, engolia-me inteira.
- Para que me deixaste dormir até às seis da tarde!

Pertantos, um novo dia nasceu entre as quatro e as seis da tarde e enquanto dormia. Só ela deu por isso.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A pedido de alguém do outro lado do mar

Alguém muito querido muito querido dali em frente lá na linha do horizonte mandou recado que nunca mais eu tinha falado da tia-velha.

Ora hoje vai um postezinho cá da tia.
A tia-velha não muda. Continua tia e velha aliás mais velha e a sua cabeça parou, estagnou há muito tempo. Penso até que se eu abrisse a cabeça assim como se faz a um melão não encontraria nada dentro. (Perdoai Senhor que ela não sabe o que diz. Perdoai os que usam o Santo nome do Senhor em vão). E vão ouvir esta da tia-velha. E vão rir um pouco. Porque eu e o outro interveniente da história também se riu.

A tia-velha foi operada às cataratas há dois anos e desde essa altura vê bem, aliás vê tão bem até um mosquito a zunir mesmo às escuras. O problema é que continua cegueta quando a luz está acesa.
Ainda "aquintrodia" foi fazer um chichi, como diz ela. Porta fechada, não faz mal, abre-se. Bater? Isso não se usa. (ela não usa) Luz acesa? Óptimo, já tinha deixado da vez anterior (deve ter pensado ela).

Entrou, sentou-se na sanita, fez um chichi e nem reparou que estava um homem a tomar duche.
Quem ficou "alcançado" (envergonhado), quem?  A tia-velha não foi de certeza, pois ela deixa a vergonha à porta.
Acabou o serviço, puxou água o que fez com que a água de quem tomava banho ficasse fria, saiu, fechou a porta e ...apagou a luz. (coisa inédita nela). Completamente segura e satisfeita por que tinha feito desta vez o que eu peço: feche a porta, apague a luz.

Ainda perguntei se não estava ninguém na casa de banho.
Resposta: não.

E só para avivar a memória, lembrem-se que todos os passos da tia-velha são dados lentamente, um pé pede licença ao outro para levantar-se do chão e só depois da licença concedida é que enceta o passo em câmara lenta.

E lá dentro continuou o mê senhor desta feita às escuras, de porta fechada, à espera que a água aquecesse...de novo. E...quieto.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tudo é uma questão de categoria

- Cavaco Silva tem categoria para ser presidente? - Perguntou a tia-velha ao ver o nosso presidente a falar no telejornal. - Acho que tem uma cara assim...
E  imitava o ar e o sorriso do presidente. (Aquele sorriso que eu considero cínico-forçado e outros consideram carismático-sincero.)
Com esta deu a resposta que eu provavelmente daria.
Aquele ar e sorriso...

- Se...

 ...Eu fosse acolá e me saísse o carro, eu oferecia-te.- Disse a tia-velha apontando com a cabeça, (que as  mãos estavam ocupadas a comer) para o écran da televisão na hora do "Preço Certo".
Fiquei... nem sei como...e tratei logo de telefonar ao Fernando Mendes para arranjar um lugar para ela.
Conto com a vossa ajuda a mandar recados (meter uma cunha vá lá, façam isso) a ele uma vez que, vocês meus amigos do continente português estão mais perto dele que eu.

E fiz logo a encomenda a todos os santos e arcanjos. Encomendei uma reza que tem dado resultado noutras situações.
- Mas o pior...é que não me ia sair! - Rematou ela com ar triste e encolhendo um ombro.

Acabou-se o que era doce, não metam a cunha ao homem. Não lhe vai sair por isso é melhor não ir.

Perdi a oportunidade de ter um carro novo!
Caramba!
Mal-injusto!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Além de... Agora também...

A tia-velha (a idade está ali ao lado direito) está surda de um ouvido.
Ela que ouvia até um flato, flato não, um "enjoento" dado entre lençóis, abafado; os meus ela ouve, os dela não, e diz  que não dá.

"Nã dá senão bem!"
Dá e dá muitos. Não importa se está só ou acompanhada.
É abrir...e sair.
É com cada  petardo!!!!

Está surda. É uma verdade. Adiante.
                                   
Fiz-lhe uma torrada e disse para se servir.
- Hã??? - quase  a encostar a cara dela à minha - HÃ??? - Como não ouve, fala alto e aproxima-se de nós.
- Sirva-se. - disse-lhe - É para si.
- Hã??
- COMA! - ordenei. Falei alto para que me ouvisse.

 Olhei para ela. Limpava as lágrimas.
- TÁ A CHORAR? - perguntei alto para que ouvisse.
- Tás sempre a falar alto comigo.

Ó Nossa Senhora dos Remédios e das Curas, dá-me um remédio eficaz contra a surdez e a cura para a cabeça, sim? ( minha claro, ca-dela já não há remédio)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma tarde bem passada! A ver... a ver...

Desde o ano passado que não engomava a roupa.
No inicio era um bebé, dentro de um "safatinho", enjeitado. Depois cresceu, cresceu.
O "safatinho" manteve-se igual. Transbordou de tanto crescer!!!!

Tornou-se mulher. Alta por sinal e comprida. Pus-lhe uma manta por cima, não vá o diabo constipá-la! 
Hoje cortei-lhe um bocado daquele corpo. Antes que...

Voltou a ser criança. Não cortei muito, caramba. Quero ter que fazer nestes dias. Ou no mês que vem!
Se engomasse tudo hoje o que faria eu nos próximos dias?
Ah, não digam. Não vale dizer nem adivinhar.

Já sei. Pintava as unhas e metia rolos no cabelo.
Ou voltava a engomar para que a bicha não cresça muito!!

Aviso: Expressamente proibido deitar roupa suja no caixote. Livrem-se.

Só um apontamento para finalizar.
Depois da roupa engomada, quando já estava a separar, a tia-velha disse: "podias ter-me dito que eu engomava-te a roupa!"
Isto depois de ter passado a tarde sentada à minha frente a ver....a ver...

Ah...ahhhh!...Burra sou eu se não aproveitar na próxima...

Fotografia: A tia-velha a ver...a ver...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Como poupar no PH

  Ora, segundo a minha tia-velha (85 anos de idade, sem contar com a cabeça)  as regras são as seguintes por forma a não gastar muito papel higiénico.

1ª - ir de cinco em cinco minutos à casa de banho e de todas a vezes usar o PH sem restrições;
2ª - puxar o PH até parar, mas tem de ser com alguma força para rodar bem;
3ª - quando parar de rodar, embrulhar nos quatro dedos da mão; repetir para ter a certeza. Agora cortar;
4ª - limpar o respectivo/a e deitar no balde do lixo. Voltar a limpar. Esqueceu-se de que já havia feito;
5ª - limpar o nariz também com o PH;
6ª - guardar o bocado de papel numa mama;
7ª - procurar o papel na outra mama. Não está. Ir buscar outro à casa de banho e seguir os passos 2 e
8ª - guardar na outra mama;
9ª - Assoar-se muitas vezes. depois de procurar o papel. Não encontra. Mais um bocado da casa de banho e guardar na manga. Depois na outra manga.

Entretanto retirei o PH da casa de banho. Vai buscar um lenço de pano. Coloca  na algibeira se tiver, se não coloca na dobra das calças. Procura este. Não encontra. Vai buscar outro lenço. Cai ao chão, não importa, a empregada: moi-même vai "ajuntar".
E assim se passa o dia.

À noite ao despir caem os papéis todos. Não importa, vai buscar mais um para  colocar debaixo da fronha. Cai para trás da cabeceira da cama. Procura, não encontra. Levanta-se vai à casa de banho retira mais um bocado de papel.
Se cair ao chão, nunca, mas nunca levantar um bocado. E as costas???

Importante: Além do PH usar também o papel de cozinha, os lenços de papel e de pano. Mas nunca sabe onde estão, pois esquece-se e perde tudo. Não há problema há sempre papel higiénico na casa de banho.

E quando vamos a casa de algum amigo que já sabe da historia do PH antes de sair temos de retirar o rolo que está enrolado dentro da algibeira. E na outra também.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A maneira mais fácil e rápida de tirar um curso intensivo de medicina é ir ao médico de família

De cada vez que vou com  a tia-velha ao médico de família saio de lá com fogo no rabo, assim como se fosse um foguetão a sair do Cabo Canaveral em direcção ao Espaço.

-Então Alice, tá tudo bem?- pergunta o senhor doutor de medicina.
- Tá!- responde ela.

E logo começo eu com as questões e intervenções e as comichões na hemorróida. (Só não me coço para  não ter de me levantar!!!)

E começa ele na ladaínha do costume: Copália é 80? São duas embalagens de Tacirel?  São duas pastilhas por dia? 
Mas se tem o processo dela à frente do nariz para que faz perguntas?

Oh po**a ele sabe que a velhota está esquecida, nem sabe em que dia estamos quanto mais saber se já acabaram os remédios, se toma duas ou três ou o frasco inteiro.
(Ainda há dias lhe perguntou se já fez a operação às cataratas ao qual ela respondeu que não.Tive eu de desmentir. E está escrito no processo!!!) Ó senhor doutor leia se faz favor!!

Irritei-me. A brotoeja já fervilhava e ....
- Senhor doutor (da m**d*), olhe são duas embalagens de Tacirel, uma de Copália, duas de Ultra-Vinca, uma de Lazix, duas de Arteoptic, duas de Risidon e uma de Zanidip. Tem sete diferentes? Tem? "Atão" tá tudo.

E ele passou as três folhas de receitas, olhou para mim, sorriu talvez ter eu sido tão precisa e colaborante.
Boas Festas. Até para Fevereiro - disse eu.

E saio de lá louca da cabeça por  ter esperado duas horas e ter sido atendida em 2 minutos.

Onde é que eu pus os balázios??

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sabem.....

...O que é uma matraca?? Uma gralha?? Uma tramela?? Sabem??

Sabem o que é ter uma tia-velha que não se cala um instante sempre rebobinando e dizendo o mesmo??? Que engoliu uma agulha de gramafone quando era jovem e ainda não saiu??

Hoje cismou de perguntar quando vem a minha irmã (que vive em Londres).
Ora a minha irmã não vem. Eu já lhe disse. Mas todo o dia me perguntou: "quando vem?", "a que horas chega?",  "é à tarde ou à noite?", "ela vem cedo ou tarde?", "é hoje ou amanhã?", "vem só ou com o marido?" (o marido enterrou-se há 15 dias),  "eu vou vestir esta roupa ou outra?", "tu vais buscá-la ao aeroporto?". Todo o dia foi esta a conversa.

E para terminar... a melhor: "compra um frango para fazer um caldinho para quando ela chegar".
Por que "amanhã é o primeiro dia do ano".

Ai  agarrem-me, "canão" eu ponho-lhe uma mordaça na boca.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mas agora a sério que isto hoje não está fácil

Todos os velhos, (digo velhos que, com esta ira que eu tenho não me apetece envernizar a coisa e chamá-los de idosos), com mais de oitenta anos são teimosos? Ou é só esta diaba ( tia-velha 85 anos) que está colada às minhas costas que nem me deixa ver a sombra, a minha claro, que a dela vejo sempre, que é mais teimosa que uma mula?

Digam-me que estou enganada. Digam-me que todos os velhinhos são queridos, amorosos, obedientes, respeitosos, dóceis...

Alguém conhece alguém que conheça alguém e que esse alguém conheça ou tenha em casa um velhinho que não seja teimoso?