"O ritmo de vida actual afasta a família dos idosos que, por sua vez, se sentem mais marginalizados" Nesta bela Europa, o velho é um empecilho de cabelo oleoso no meio da lavadinha família modernaça. Por isso, ninguém nota que a gripe normal mata, todos os anos, uma multidão de velhos. Ano após ano, estas mortes não causam qualquer emoção mediática. Nós, os modernaços europeus, damos 100% de atenção às crianças, e 0% de carinho aos velhos. Depois, no dia-a-dia, esta aritmética afectiva provoca vilanias. Em 2003, por exemplo, centenas de velhos morreram de calor por essa Europa fora. Não havia ninguém para lhes dar um copo de água. Um copo de água. Estas mortes não geraram uma discussão 'europeia'. A tal discussão só surgiu quando, anos depois, uma menina - uma só - desapareceu no Algarve. Aí, sim, toda a Europa, em histeria continental, reflectiu sobre a pedofilia. Dentro desta assimetria dos afectos, comum a toda a Europa, Portugal destaca-se com afinco. Em Pa...