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Esta coisa dos sensores...

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Ora eu sou rapariga que nasceu ainda Salazar era vivo e por conseguinte estas modernices bolem-me com os nervos e o sistema nervoso central entra em erupção. Estava eu numa casa de banho de um café quando os sensores apagam, sim, eu demoro muito na casa de banho mas sabem sou "dureira" como dizia a minha santa abuelita que era reles com'um touro. Atão a p'ssoa tá sentada concentrada na obra (por aqui dizemos obrar), e tem de fazer sinagogas e abanar os braços como que a pedir socorro quando está no sítio que merece descanso e sossego? E depois apaga e tem de fazer o serviço todo às escuras (e como estava negro mê dês!), e por mais que mexa os braços, as pernas, e faz que dança a Lambada não dá luz. E o papel? Onde raio está o papel? Só depois quando abre a porta para sair é que descobre que os sensores estão fora da casa de banho na zona do lava-mãos. Mas isto tem cabimento?! Uma p'ssoa tem de ir com as calças na mão à rua para ter luz na casa de banho?!

Vim de cesta cheia

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Fui à horta (àquela que anda esquecida e que tenho descuidado a sua limpeza, rega e tratamento), e vim de coração cheio. Na cesta onde coloquei salsa, couve, pimpinela, tomate cacho, além dos que a foto reproduz: tomate cereja e tomate lagartixa, trouxe também uma certeza: mesmo que eu não cuide a natureza segue o seu ritmo. E eu agradeço...

Tenho de falar com ela mais vezes. Ela levanta-me o ego

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As avós de agora são as raparigas do meu tempo de menina e de escola. Não nos encontrámos como mães mas reencontramo-nos como avós. Olho para as minhas amigas e vejo o quanto estamos fofinhas, redondas, rugosas, esbranquiçadas ou com tinta castanha, preta e as mais extravagantes de vermelho, mas felizes claro, a correr atrás dos netos. Ora estava eu a "meter na jaca" (o mesmo que enfardar/comer) e olho para uma - a mais redonda de todas - comendo do mesmo...não do mesmo mas igual ao que eu estava a comer e, em jeito de brincadeira, digo-lhe: "Hoje ninguém se pesa. Proibido. E não há-de fazer mal, não achas? É por eles." - Ah, pois tu queixas-te! ? Tu podes comer de tudo que não engordas, estás magra; sempre te conheci assim, eu é que sou uma bola, sempre fui gorda. - Ó rapariga tens falta de vista! Eu engordei 10 quilos.- digo-lhe. - Engordaste o quê, onde é que está "essa gordura". E mirava-me de cima abaixo com ar de de que diz: "parva, dep

Implicâncias. A destruição de um casamento

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Esta história começa como outra qualquer. Uma história de amor, uma paixão. Mas com o andar do tempo... Era uma vez um marido que implicava com a mulher. Nada do que ela fazia estava certo, fosse nas actividades de vida diária, fosse no relacionamento entre amigos. Ela era alegre, bem disposta, mas a implicância dele provocava mal-estar. Tornou-se taciturna, triste. Estava farta. Farta de não ser compreeendida, de ser desajeitada, triste de não conseguir satisfazer, de ser diminuída, ostracizada por ele. A sua prepotência martirizava-a. O desinteresse e o desprezo dele corroía-a. Cansada das suas implicâncias resolveu desaparecer. Ele procuro-a. Andou desorientado sem saber o seu paradeiro. Perguntava a todas as pessoas por ela. Adoeceu de dor. Uma dor infinita de culpa. Nunca a encontrou por muito que a procurasse. Ela desapareceu sem deixar rasto. Hoje, na cama grande e fria da sua casa grande e fria ele pensa nela. Tateia o seu espaço na cama mas o lugar, outrora quente e h

Tudo o que desce sobe tudo o que entra sai

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Nestes últimos dias tenho rido muito, foi um fim de semana recheado de boas energias, família reunida, passeios pela ilha, mas... Tudo o que desce sobe tudo o que entra sai. O avião que desceu e pousou na quinta levantou hoje e os que entraram na minha mansão saíram. Entraram quatro numa assentada e hoje foi dia de despedida. Tudo o que entra sai e leva um pouco de nós. É mais forte do que eu e ainda não consigo despedir-me sem derramar aquele líquido precioso que Nero guardava numa pipeta. Assim que o avião levanta baixa uma corrente delas. Agora só, orgulhosamente, só vou entreter-me a limpar, sacudir, esfregar e resta-me pouco tempo para brincar. Só assim esqueço que durante uns dias fui mãe-pata com os patinhos atrás. Fotografia: Ponta de São Lourenço, península a este da ilha da Madeira, onde se avista a sul as Desertas e a norte a ilha do Porto Santo

Para onde é que ela vai?

Chego à lavandaria e vejo a máquina de lavar roupa - a tal que faz tudo desde esticar a encolher - a correr. Esperei para ver o jeito dela e pensei cá comigo: "deve ir à tasca do Bexiguento mas está, redondamente, enganada". Não que eu não permita, por mim até pode, mas ainda não a vi dar grandes passeios, só de aqui para ali e mainadinha". Deixei um instante mais, sempre atenta a ela, não vá a estapilha da máquina meter-se a descer três lances de escadas. Esperei. Enquanto pôde lá foi a toda a velocidade até que parou. - Paraste? - Perguntei-lhe. - Tens medo. Ah, atão era isso! - Ainda lhe disse. E voltei a chamar à atenção da menina e a ameaçar que é a última vez que vou buscá-la à porta da entrada e a dar-lhe a mão até ao sítio de onde nunca devia ter saído. "Agora de castigo vais lavar enquanto não chega o dia do Juízo Final e sem sair do lugar, canão...." Nem lhe disse que depois da afronta de borrar os meus lençóis brancos de rosa choque, de ter enc

Duas num dia... Não aguento

Ontem, de manhã, ali pelas nove horas, fui acordada com uns "pampulhões" na porta do meu quarto. Ora, eu que ia no quarto sono acordei sobressaltada e logo o meu fraco coração saiu do peito. Eu sou rapariga que em toda a sua curta existência teve surpresas a entrar pela casa adentro. Mais uma, a primeira do dia. O mê Bisalho e respectiva madame-nora. Credo! Abri os braços como o Cristo Rei de Almada e foi um abraço forte: eu, ainda deitada, e ele em cima de mim como quando era criança. Bom, bom, bom, não há no mundo nada melhor que um braço entre duas pessoas que se amam. Foi uma alegria para mim, a minha filha e Pulgas. Surpresa do mê senhor para nós. Ainda o dia completava as doze horas, portanto pelas nove da noite, com o jantar na mesa outra surpresa: a minha sobrinha e companheiro entram pela porta dentro surpreendendo-me. Não aguento, é desta que morro! (Esta minha sobrinha nasceu em Londres mas vive em Santarém. Um dia conto a história de vida dela, uma história de

Para que não duvidem do que digo

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Caros figos.... vocês estão caríssimos... Eu disse que não comprei a oito, E acham que comprei a 9,98€? No uei (inglês, silvu plé).

Segunda volta. Outra vez os óculos! Ai vida minha!

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Ontem foi a vez do passaporte pois daqui a dias vou precisar e o que tinha estava caducado. Em chegando ao sítio a mesma coisa por causa dos óculos. Desta vez ripostei menos e convenci de que é um documento que não uso tanto que não faz diferença. Mas antes contei-lhe do sucedido e da minha pega de caras com o touro, perdão, com a simpática menina, rimo-nos e até acrescentei que nasci sem dentes e sem cabelo ...e que a resposta do "adereço" referente aos óculos não me caiu bem no estômago. Desta vez tirei os óculos e com a recomendação que "pode sorrir não pode é mostrar os dentes". Quer dizer uma p' ssoa gasta dinheiro para ter uns dentes lindos e não pode mostrar? Arranja o cabelo e pedem-me para afastar da cara? Que cena é esta? Coloquei-me sem óculos, sem dentes e sem cabelo em frente à máquina. - Tá a ver o círculo vermelho? Pergunta ela. - Não senhora. - resposta seca. - Não vê um círculo vermelho aí em cima!? - Já admirada. - Não menina, não vej

Usar óculos é um adereço e não uma necessidade

Quando precisei de renovar o cartão de cidadão dirigi-me à loja do cidadão ao balcão correspondente e  disse ao que ia. A menina pede para que me sente para a fotografia. Ah, e tal, tem de tirar os óculos, diz a menina linda, olhando para mim. "Comé?" pergunto em bom madeirense à simpática e adianto que não tiro, que uso desde sempre, que é a primeira e a última coisa que faço todos os dias é pôr e tirar do nariz, que identifica-me.... Ela mostrando desalento e tornando a dizer que "é sem óculos" e eu a ripostar que não tiro, chame quem quiser, os óculos para mim são uma necessidade, a minha vida é com eles, sempre usei.... Ela olha para mim e diz que "os óculos são um adereço, você não nasceu com eles." Aí deu-me aquela volta no estrampalho e antes que vomitasse tal era o desejo que tinha disse-lhe serenamente. - Também nasci nua, devo despir-me? Calou e engoliu em seco pois tinha gasto a saliva a mastigar o "gâmesse" que dava voltas na b

Por falar em roubar...

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Não sou rapariga de ver e não mexer no que toca a fruta, não sei, deve ser um trauma de pequena e não consigo me  curar. Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, Goa e Macau já fui até Timor e em nenhum sítio houve alguém capaz de curar este vício de roubar figos também diospiros também cerejas entre outras que estejam na estrada. Conhecem o Santuário de Nossa Senhora da Abadia e o Mosteiro de Santa Maria ambos em Amares? Já passaram por Tarouca por esta altura em que as cerejas estão vermelhas, apetitosas e caras? "Vaiam" por lá em Junho e por Amares em Outubro e depois contem-me se resistem a tanto diospiro caída no chão e outros mais nas árvores, arreganhados, e em Tarouca tanta cerejeira em fila indiana com elas tristezinhas, de olhinhos cheios de ramelas de tanto chorarem de tristeza a pedir: " poramordedeus c ome-me, leva-me numa viagem da boca até ao estômago, quero conhecer o teu interior porque dizem que o interior da pessoa é que é o genuíno, q

Não roubei só surrupiei....oh diacho... gamei, prontus

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Adoro figos (e bêberas e tabaibos e goliabas e pitangas...) E por gostar tanto de figos ( e bêberas e voiabas e tabaibos) e por serem caros (8 euros), não resisti a roubar. Dizem que a ocasião faz o ladrão. Nada mais verdadeiro.                                              Passava eu debaixo de uma figueira quando olhei e vi aqueles malvados cheios de mel no bico. A escorrer. Pensei: "Ai se era de noite!" Mas eu sou uma mulher que quando se lhe mete algo na cabeça é o inferno. Deixei anoitecer e... Voltei à figueira. Mas o que me sobrava em coragem para roubar, faltava-me em estatura. Estavam altos, demasiados altos para o meu comprimento, por mais que me esticasse. E como me estiquei!! Pus-me em ponta de pés, fazendo inveja à Margot Fonteyn. Nem ela conseguiu tanto!!                                            Apanhei um. Apenas um. Vim triste com um figo na mão! Um?! Não dá nem pá cova d´um dente. Mas isto não fica assim... Não, que eu não deixo que es

Absolutamente imperdoável

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Para quem não tem amor-próprio, para aqueles que não se prezam e esquecem a sua dignidade. Ninguém merece a perda de tempo. E há uma vida lá fora para quem quer viver. Imperdoável esperar que alguém modifique as suas atitudes. Tempo perdido...