Pulgas, Pulgas, Pulgas. Para qualquer lado que me vire encontro sempre uma. É à frente, é atrás, é em todo o lado, mas no colo é onde poisam. Perseguem-me. Fujo, escondo-me, mas encontram-me. São pequeninas e saltitam muito, dificilmente as agarro porque não param um minuto. Não há no mundo pulgas como estas, porque são: "As minhas Pulgas".

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Onde estavas tu no dia 25 de Abril de 1974?

Começo  por mim.
Era eu uma menina de dezassete anos....(pronto, já estão a contar pelos dedos para descobrirem que idade tenho), que estudava na Escola Industrial e Comercial do Funchal no antigo quinto ano (agora nono), e não percebia nada do que se passava, mas a palavra fascismo inquietou-me e aguçou a minha curiosidade ao ponto de na aula de História que, por sinal a tinha nesse dia, perguntar à professora o que queria dizer.
Ela explicou para a turma e continuámos nas aulas sem saber bem o que era uma revolução pois que em História aprenderamos que revolução tinha havido uma em França há muitos anos. E houvera também muitas guerras. De resto, nada.
E depois.....
Era muita areia para a minha bicicleta e eu queria era namorar.
E vocês meus amigos lindos, também eram assim como eu: burrinha, tapadinha dos olhos? Claro que não!
Um...Dois... Três...É a tua vez.

Fotografia: um hibisco ou cardeal da minha casa.


Shite, para aqueles que se esqueceram do português

Como sabeis vou muito a Londres uma vez que tenho lá os meus irmãos e, a coisa que me faz saltar a brotoeja e coçar o carrrolo o dia todo é, precisamente, aqueles portugueses que saem do seu país e, assim que chegam a Gatuíque, sim que os portugueses usam as laucostes, começam logo a falar inglês. É o indergrounde, é o base, vão logo aos shopes, deixam de comer peixe e começam a comer fiche. Dizem camone em vez de vamos, todas as pessoas são uns sanofabiteche. Mas o melhor é deixar de levantar um dedo, o do meio, e passam a levantar dois em forma de v.
Se os filhos nascem lá, aí sim, a sua língua materna fica encostada na parede e dali para a frente só o inglês predomina.
O problema é que sem saber falar o inglês correcto deixam a sua língua arrumada na gaveta e só falam português na presença dos filhos quando brigam....Uma forma de poder mandar para  o alto do mastro do navio sem que as crianças entendam. Olhem que conheço e cumprimento este casal.
Ora, como pode uma família de quatro pessoas que saíram de Portugal todos juntos e que falavam português em casa, óbvio, assim que chegam à Inglaterra, tungas, agora só inglês...
Se me justificarem bem justificado não que eu sou assim a modos que estúpida neste assunto pode ser que a minha opinião mude enquanto isso acho uma estupidez obrigar os filhos a falar inglês em casa (não chega na escola?) E continuar a falar português em casa não era uma forma de as crianças saberem duas línguas?

domingo, 23 de abril de 2017

Piscinas Naturais do Seixal










Sou rapariga de palavra como podem comprovar. O que é prometido é de vidro, perdão, é devido. São de água do mar, salgadas e naturais. Um regalo olhar para elas.
"Soberbo", como dizia um estrangeiro retendo a respiração.

Hoje é domingo dia de cruzar as pernas

Domingo...
Se antes detestava este dia é só a pronúncia do seu nome dava-me uma brotoeja no corpo e ficava de trombas o dia inteiro: por ser véspera de semana preenchida de aulas, dia de preparar as lições, programar, projectar a semana, presentemente, só a pronúncia do seu nome faz aparecer um sorriso rasgado na cara.
Domingo, na actualidade, é um dia para relaxar. Nao que não faça planos semanais, mesmo sem ser profissional o hábito ficou, mas agora aproveito para passear pela minha ilha, captar bons momentos, brincar com os netos e retomar energias positivas. Uma leveza portanto.

À noite mostro alguns sítios bonitos do meu rural.
A todos um excelente domingo, força para iniciar a semana de trabalho. Custa, eu sei, mas no fim é compensador. Palavra de avoGi, Técnica Superior de Lazer.

sábado, 22 de abril de 2017

Eu não morrerei com palavras atravessadas na garganta

Pensamento a ter em conta, por isso há que dizer tudo, nada de guardar para dizer amanhã o que se pode dizer hoje.

De que serve ter um amigo?

Vem isto a propósito de alguém que está a atravessar um momento crítico na sua vida e é quando mais precisa de desabafar para expurgar a alma, pedir conselhos e que as amigas comprovem a veracidade dos factos e as amigas, essas, não comparecem ao tribunal. Acobardam-se.
De que serve dizer-se amigo de alguém se na hora em que mais precisa lhe vira as costas? Por isto digo, minhas senhoras e meus senhores, ponham os olhos em vez do coração ao escolherem os amigos. E sabem?, falo com conhecimento de causa. Por isto, reforço a minha teoria que: amigos é uma palavra que muitos não conhecem o significado. Acreditem.

E, relendo a frase, digo que "há amigos que te ajudam a cair".

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Podia ser o Havai mas é Santa Cruz, ilha da Madeira

E no Havai não há pedras de calhau há um areal amarelo que com vento nos torna num croquete ou rissol pronto a ir à frigideira quando damos um creme para proteger a pele.
Tão bom sair da água sem areia entre os dedos dos pés! Tão bom mastigar uma maçã sem ter areia entre os dentes!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A vítima ou o assassino?

Depois de muito meditar sobre o assunto chego à conclusão que sou a favor da prisão perpétua.
Durante muitos anos achei que era uma violação dos direitos humanos, o facto de privar a liberdade, que é um direito consagrado, mas pergunto-me: porque há-de ter direitos um humano que renegou esse direito a alguém?
Crime, quanto a mim é devolver à sociedade um assassino. Crime é saber que esse um dia depois de cumprida a pena vai sair em liberdade, essa liberdade que ele tirou.
A prisão perpétua é um castigo do mais severo que há, mas é também um acto de misericórdia - não tirar a vida a alguém que a tirou.
Não há dor maior que acordar de manhã sabendo que não poderá ver a pessoa que um dia amou e que num outro a odiou o ponto de a matar. É o maior castigo que se prolongará por todo o tempo até morrer. Até se arrepender se se...

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pela Assembleia-geral da Nações Unidas em Dezembro de 1948, reconhece a cada pessoa o direito à vida (artigo 3º) e afirma categoricamente que “Ninguém deverá ser submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes” (artigo 5º)

Quem: a vítima ou o assassino?

A vida é para ser vivida e não tirada

Foi a sepultar a jovem vítima de violência por parte do antigo namorado. Ela advogada, ele personal trainer, portanto, pessoas com formação académica. Tinham já posto termo à relação, mas ele não aceitou.
É difícil entender ou compreender que, alguém de quem se gostou, possa ter um comportamento tão obsessivo/compulsivo. Como pode uma pessoa munir-se de uma faca, sair de casa às quatro da manhã para matar alguém que um dia foi-lhe chegado?
Ela foi apanhada de surpresa por ele que lhe desferiu umas facadas e espalhou o sangue pela casa. Macabro!
A violência doméstica não tem idade nem classe social. A violência está entre nós, está num momento em que o cérebro deixou de comandar os movimentos, trazendo ao de cima o lado mais negro de uma pessoa.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Já preenchi, já submeti, já recebi

Refaço a frase: não preenchi pois que já estava preenchido pelas Finanças, só concordei, que trabalhadores da Função Pública não há como fugir do que está lá averbado, mas dizia eu que submeti e uma semana depois "ei-lho" (falando madeirense), depositado na conta.
Tão bom não é? E por aí já canta bem alto o dinheirinho do IRS ou canta baixinho? O meu cantou pianinho, mas foi bom ouvir o seu sussurro.
Ide a correr, rápido, que rápido vem. E sigam a frase: "não deixem para receber amanhã o que podem ainda receber hoje".

terça-feira, 18 de abril de 2017

Ouvido de passagem entre dois que nada fazem

Dois vizinhos cá do burgo, ambos rapazes com mais de quarenta anos que adoram polir a esquina da rua como o seu rabo sempre encostado à parede e ainda vivem com os pais que trabalham até à exaustão para alimentar estes dois solteirões e restantes membros, dizia um para o outro:
- O melhor lugar para se trabalhar é aqui na Madeira.
Ora bem, meus senhores, aqui eu cocei-me toda desde a ponta do pé até ao couro cabeludo por achar que estão cobertos de razão.
Aqui é o melhor sítio para os "pais deles" trabalharem porque se um dia os pais emigram à procura de melhor trabalho eles vão avergar a giba porque a mama vai secar. E o leitinho quente e papinhas de bolacha Maria com banana esmagada vai faltar.

E foi assim que aconteceu

Ontem, a mãe das minhas Pulgas fez 37 anos (obrigada, obrigada...) e para descongestionar das comidas do domingo de Páscoa nada como levar os restos (do domingo de Páscoa) para um piquenique na serra, além do bolo de aniversário para o tradicional soprar as velas.
Foi a modos que para lá de bom... Para lá de Marrocos... Sol, calor, família, risos de crianças, descanso e lazer...

Fotografia: As Pulgas a fazer o que melhor sabem: brincar. A prineira foto é Baixinha empunhando a máquina fotográfica do avô a estrear-se nesta modalidade. Tem jeito a peste!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Eu não sei como se pode comer tanto!

Não sei, juro que não sei como se pode comer tanto. Não sei vocês mas eu sentei-me ao meio-dia e levantei-me à meia-noite. Sempre a comer. Os aperitivos, as entradas, o cabrito, as sobremesas, o chá os bolos, o café e o digestivo.
Garanto que se me colocar na balança e ela mexer com o ponteiro mais de dois riscos eu dou-lhe uma martelada.

E foi assim o Domingo de Páscoa. Entre o almoço e o jantar ainda houve tempo de dormir no sofá ementes outros jogava à Bisca e ao Cassino.
Se foi o que esperava? Melhor do que...

sábado, 15 de abril de 2017

Ressuscitou. Aleluia

E Ele ressuscitou dos mortos ao terceiro dia conforme as Escrituras, depois de crucificado pelos romanos na Sexta-feira Santa.

Feliz Páscoa para todos os que me visitam bem como aos seus familiares.
Agradeço também aos que, por esta via, me têm desejado uma Santa e Feliz Páscoa para toda a minha família.

Não vai dar tudo ao mesmo?

Estava eu a andar a quatro patas, punhos fechados no chão, braços esticados e cara de má a aproximar do mê Gu-Gu, o neto de sete anos e, distraído como estava, digo-lhe na mira de olhar para mim.
- Olha, Gu-Gu, sou um macaco.
Ele olha e deixa de olhar, sem se rir (e queria eu que ele achasse piada às minhas asneiras!), ao mesmo que diz: "não és nada um macaco!"
- Não sou? - pergunto eu e continuo a andar a quatro patas - mas estou a andar como os macacos, não?
Abana a cabeça em negação, como que a dizer: "esta nunca mais aprende, por mais que lhe ensine"
- Gorila, avó, os gorilas é que andam assim. Aprende. - e continua a olhar para a televisão.
Ora toma e vê se aprendes. E tristezinha, levantei-me, deixando somente os pés no chão a pensar se realmente macacos, gorilas, orangotangos e chimpanzés não andam todos de igual forma.
Dúvidas, só dúvidas...

Fotografia: O mê Gugu em modo desporto radical

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ainda que fosse verdade

Ainda que natal seja sempre que uma mulher quiser há limites. E os meus limites por vezes andam baralhados e de vez em quando sai asneira da mais grada.

Ontem ao passar por conhecidos e, como habitualmente se deseja votos de feliz época, cá a rapariga que vos escreve também quis ser bem educada desejando "Feliz Natal" com toda a convicção que estava a dizer "Feliz Páscoa". Só dei conta que algo estava mal, quando olham (para a rapariga que vos escreve) com tal ponto de interrogação de mão dada com o ponto de exclamação ambos espelhados na cara e a pensarem: "tá tontinha?!"
Aí sim, esta rapariga cuja cabeça dita a sentença fica assim, a modo que encavacada e a pensar que eles eram Jeová.
Atão eu desejo feliz Páscoa e eles olham para mim de boca aberta a fazer um grande "ó" em vez de agradecer e retribuir?! Atão onde já se viu ficar sem dizer nada à pessoa que deseja que a páscoa seja replecta de paz?
Só quando disseram: "andas adiantada ou atrasada?"
Aí virou o bico do prego e era já eu de boca aberta, sobrolho franzido, e a pensar: "Uóte (pensei em inglês), tás tontinha ou fazes-te? As amêndoas entupiram-te o cérebro, ou quê?!"
Depois esclarecemos e chegámos à conclusão que eu é que tinha amêndoas a entupir o cérebro e que já tinham substituído os miolos. Depois gargalhada geral por esta cabeça ser, a modos que, uma moganga!
Ora o Natal ainda há dias foi mas não tarda a chegar...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Remédio santo para as insónias e eu só estava constipada

Há muita gente a sofrer com esta malvada doença, que não deixa unir pestana de cima com pestana de baixo e faz-nos ouvir tudo à nossa volta. Eu, da minha parte, não oiço quase nada assim que tiro os aparelhos das orelhas a não ser a respiração profunda (se eu disser roncos ele fica aborrecido), do vizinho do lado ou seja do mê senhor.
Nem Valdespert nem Valeriana nem Valium nem Xanax...
Estava eu a dizer que há um medicamento eficaz para a insónia, para quem deseja uma noite tranquila nas asas de Morfeu, sossegada, silenciosa, enfim, descansada. Seu nome Actifed.
Oh mês dês, tomei uma colher deste remédio e podia cair um bolo do caco em cima da cara e, na pior das hipóteses ir para a outra banda para a zona dos calados que nem dava conta.
Foi preciso a minha Pulga -a Maiveilha, a de onze anos, perfurar a testa com aquele dedo em riste para me lembrar que, afinal, ainda estava no mundo de cá.
Dormi tão bem e só tomei uma colher de Actifed, que é um anti-histamínico imaginem se tomasse duas...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Muitas vezes nem damos conta o quanto é reconfortante

Um banco, um jardim, relva, uma paisagem outonal, e eu que procurava um lugar para descansar, encontro-o ali, ao virar da esquina, onde o vento faz a curva. Tão perto e nem sabia o quanto é apaziguadora esta quietude.
Não é preciso muito para ser feliz

terça-feira, 11 de abril de 2017

Eles tiveram tudo excepto a educação

Desde que  nasceram fizeram-lhes crer que só tinham Direitos e que não precisavam de estudar nem trabalhar. Durante anos disseram-lhes que nada lhes era negado e que poderiam até destruir o mundo que nunca lhes seria imputada a culpa. Sempre lhes transmitiram a ideia de uma vida fácil pois os pais tudo fizeram para que nada lhes faltasse.

Durante anos sempre lhes disseram que pais, professores e ou qualquer adulto não podiam tocar com um dedo que fosse e até tinham o dever de os denunciar. E nunca podiam ser contrariados, a razão estaria sempre do seu lado. Foi-lhes transmitido que o respeito, o civismo e a responsabilidade são palavras em desuso. Devem ser respeitados sempre, isso sim, mas respeitar os adultos é coisa que não merece o esforço. Durante anos viveram numa sociedade que lhes facultou tudo desde dinheiro, estudos, livros, materiais e os pais as coisas supérfluas.

Estes jovens cresceram e descobriram que não é bem assim. Os pais defendem os seus filhos e até acreditam no que eles dizem pois que "deram-lhes tudo" e esmeraram-se no esforço para que nada lhes faltasse mas, nesta ânsia desmedida esqueceram-se do mais importante: a educação. Têm uma mão cheia de nada!

Quem terá a culpa do sucedido em Torremolinos? Certamente que os professores não pois estão de pés e mãos atados pelos pais. Os jovens? Os pais? A sociedade? Alguém que se acuse!
Nem toda a gente está disposta a desculpar actos de vandalismo​!

A bela, a poderosa, a fonte de vitamina, a pouco calórica, a saborosa da PITANGA

As minhas Pulgas adoram apanhar, é assim a modos que uma apoteose o subir ao alto do terreno de taça vazia e trazê-la cheia de belas pitangas. Embora não a comam - só mesmo para quem gosta - é um delírio.
Aqui nas fotos podemos ver desde a apanha até ao consumo numa bela poncha feita cá pela jovem que vos escreve.
Bem queria poder mandar uma safatinha delas para quem nunca provou. Pena, pena tenho de não satisfazer o vosso desejo. Fica para uma próxima oportunidade, sim?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Só quem já a teve na boca é que entende

Pequenina, saborosa, exótica, ácida, fonte de vitamina e, pasmem-se, ajuda a emagrecer por ser pouco calórica.
Na mesma árvore o fruto pode ter várias cores: verde, amarelo, alaranjado e vermelho-vivo. Tem um caroço que ao ser jogado ou cuspido para a terra faz nascer uma árvore.
Eu, ao comer umas tantas, cuspi uns tantos caroços que agora ando aqui com uma quantidade de árvores a nascer.
Vai um suminho desta fruta para ajudar a emagrecer? E, já agora, levante o dedo, o indicador só para efeitos de logística, aqueles que já meteram uma na boca.

domingo, 9 de abril de 2017

Esta é a Sueca

Apareceu na minha casa vinda não sei de onde e por aqui ficou. Não sei se tem dono, nome...ela não diz nada...(e olhem que já lhe perguntei). Tem comida à descrição, um tecto para se abrigar e carinho das minhas Pulgas. Fez da minha casa o seu lar.
Uma barriga monumental pois está prenha, demasiado prenha para procurar outro lugar.
Já foi batizada de "Sueca" porque apareceu no dia do atentado, também por ser branca de olhos azuis.
Linda, não é?

sábado, 8 de abril de 2017

Também faço parte desta estranha confraria

E não restam dúvidas que os professores são do piorio, basicamente existem para tornar num inferno a cabeça dos alunos. E fazer​-lhes a vida negra, como me disse a tia do grande CR7, quando o seu filho - primo legítimo do craque - era meu aluno.
Reles profissão...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Se eu pudesse era assim o resto da minha vida

"Ai, avó, a vida sabe tão bem!" - diz a Pulga - a Maiveilha -, de onze anos, deitada ao meu lado de pernas esticadas na relva do jardim, no primeiro dia de férias, acompanhado de um longo suspiro a olhar o infinito.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A melhor coisa do mundo é...

Numa conversa muito séria entre avós e netos Pulgas (a saber são três: uma de onze, uma de nove e um rapazinho de quase oito, todos irmãos), a do meio - a Baixinha, (porque está no percentil baixo) disse que não queria ter filhos.
Ora, eu, avó estremosa que teve dois filhos continuei a rebater que "os filhos é o que melhor se pode ter", que "é a continuação da família e que "filhos é a melhor coisa do mundo".
Continuava ela que não queria ter filhos quando crescesse e ripostou:
- Ó, avó, deixa-te disso "a melhor coisa do mundo" é comer batatas fritas.
Pronto, desta não ter bisnetos. Mas vou ter montes de batatas fritas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

E tu, avogi, viste o busto do Cristiano Ronaldo?

Como não ver se está ali à chegada! Como não ver se os meus olhos repararam numa multidão de gente de máquina fotográfica, telemóvel, tablet em punho e a sorrir agarrada a um busto? Como não ver se uma fila de pessoas esperava a sua vez para se colocar de cabeça encostada a um busto sorridente com paralisia facial, de olhos tortos e dentes de serrote, mas mesmo assim é o "Cristiano Ronaldo"?
Como não ver se as minhas Pulgas quando do me foram buscar nem um "Olá avó, fizeste boa viagem?", mas vez disso passaram por mim a correr e ao mesmo tempo diziam: " vou ver o busto, espera, vou ver o busto" ainda pensei que a Pamela Andersson estivesse a chegar (este é o meu lado mal-intencionado e de pensamentos obscuros), mas acrescentaram enquanto corriam: "do Ronaldo" (ah, coloquei a mão no peito para descargo de consciência e afugentado os maus pensamentos, disse pra mim: "caramba, são crianças, avoGi, não ligam ainda a esses bustos").
Como não vi se também me coloquei ao lado do busto e lancei o meu sorriso - o 75 que se refere à felicidade - e captei uma bela foto agarrada ao pescoço do Ronaldo?
Como não ver uma fila de gente que crescia como cogumelos no inverno só para se agarrar a ele! Mesmo sem fazer jus ao futebolista, o busto é uma atracção.

Fotografia: Duas das Minhas Pulgas a estrangular o Ronaldo

terça-feira, 4 de abril de 2017

Carta aberta aos papás dos seus lindos filhos que frequentam o colégio onde também estão as mnhas Pulgas

(Carta aberta...sim, ainda não a meti no envelope nem passei a língua na cola para fechar...)
Aos papás e mamãs e pais dos papás e mamãs que vão buscar as suas lindas meninas de laço grande na cabeça e mochila violeta e meninos de colete e calção pelo joelho ao colégio e interrompem o trânsito porque param a bomba assim a modos que mal parada e ficam ali a criar raízes até que os seus meninos lindos de cabelo engomado e meninas lindas de laço virado para Belém cheguem à porta.
Papás e mamas e papás e mamas dos papás e mamas, saibam que a campainha da escola toca às quatro horas e só a essa hora é que os lindos filhos e filhas e netos e netas saem da sala. Saibam que ainda a porta da sala não é paralela ao portão e não fica ao virar para norte. Saibam que as professoras...e aqui deixo o meu longo cumprimento a elas, não estão, como pensam que elas estão, atrás da porta à espera que dê o badalo para mandar os alunos sairem a correr qual galinheiro de porta aberta a deixar bisalhos ao deus dará. Saibam que as suas meninas lindas de laço à cabeça e meninos coisa mailhinda do mundo vêm a patinhar ovos à conversa com os seus pares mostrando o brinquedo...refiro-me àquele que custa mais de quatrocentos euros, que o papá deu pela festa dos seus anos e por isso demoram a chegar ao portão, e porque sabem que o seu extremoso pai, avô, mãe ou avó, estão ali já à espera, mas dá tempo, os outros que esperem, porque "eu" sou a filha de quem sou e por isso esperem. Saibam que o parque perto da escola proporciona meia hora sem pagar mesmo a pensar nos colégios ali à beira.

Atão porque raio chegam à porta da escola às dez para as quatro ou melhor três e cinquenta puxam o travão de mão ficam a coçar os cabelos ou a atender um telefonema da empresa que de tão importante nem ouvem os apitos e businadelas dos outros, e os avós que devido à hora perderam uma tarde de sono e aproveitam para passar umas brasas, as avós que entrementes tentam passar de nível no Candy Crush, e as mamas que passam os olhos na última revista sobre a moda de primavera, sabendo que só depois das quatro e meia é que as lindas meninas de laço grande já virado para Marrocos e os meninos de colete, calção e cabelo penteadinho de risco outrora ao lado, agora ao meio chegam ao portão.
Poça, difícil entender, caramba! E os outros é que são os otários, é isso?

Fernando Pessoa sempre tão actual

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Ele diz tudo nada a acrescentar. Acrescento eu que daqui a pouco retomo a visita aos meus amigos virtuais, deixem só acalmar a poeira que é do o quem diz: lavar a roupa, tratar de animais, da horta...
Não me esqueci dos meus deveres de bloguista!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

E assim de repente apraz-me dizer...

...Que ainda estou em modo de voo. E as mini-férias acabaram.

Correr atrás dos sonhos e se possível espezinhando os que se atravessam no caminho

Desde pequenos ouvimos dizer que devemos correr atrás dos nossos sonhos e nunca desistir deles pois só assim alcançaremos a felicidade, certo?
Presentemente a felicidade é entendida como o hipotético resultado de ter podido satisfazer o maior número de desejos ou sonhos num curto espaço de tempo. Para isso implica sonhar enquanto houver ar nos pulmões.
Mas nem sempre os nossos sonhos se realizam. Quando a vida que sonhávamos não se apresenta como no sonho é o sofrimento!

Muita gente na ânsia de realizar os seus sonhos entra numa espiral de mesquinhez e faz do dorso das pessoas trampolim. A ambição desenfreada de realizar o seu objectivo de vida - a realização dos seus sonhos - faz algumas pessoas serem capazes de tudo sem conta e medida. Os desejos são realizados através de atitudes mesquinhas de quem não olha a meios para atingir os fins. Com uma certeza porém para elas: os seus sonhos são realizados. Não importa a custo de quê.
Realizar sonhos uma tarefa difícil para quem tem nobreza de carácter!

Fotografia: Outono em Londres. Novembro de 2016

domingo, 2 de abril de 2017

Cuidado, tenham isto em atenção

E não digam que não avisei. Afinal eu nasci para vos ensinar como lidar com cachorros.

(Desculpem, tinha um erro ortográfico, já emendei, entretanto; isto de mandar postas e fazer o almoço ao mesmo tempo alguma coisa sai mal. Inda bem que não foi o almoço! Agradeço a quem me alertou)

sábado, 1 de abril de 2017

Hoje tudo o que se disser é peta, mas cá vai...

Por isso não vale a pena dizer nada. Não vão acreditar. Mas cá vai a novidade.
Estou contente a dar saltinhos, como podem comprovar, porque hoje está sol em Braga, um sol que não me aquece e trouxe com ele o vento que arrefece a minha face.

E, acabei de pintar as unhas pois que as tinha a descascar e fui a uma brasileira que me contou toda a sua sina desde que saiu do Brasiu até que aterrou em portugau. Disse-me tambein qui prá sémana vai está sóu mas friu; e que tem andado no médico por causa de umas dores no péscoço. A filha, por causa de um diagnóstjico errado é djiabética (adoro este sotaque). E eu digo que só lá estive uma meia hora imaginem que ia para cortar, pintar, fazer limpeza e massagem de pele!..
Estou feliz porque chega o mê senhor com uma mala cheia de anonas e bananas e uma fatia de Pão de Deus, aquele bolo do demo que gosto. Por isso salto e pulo...

sexta-feira, 31 de março de 2017

Geração cabisbaixa e não é à procura de moedas

Assiste-se a um elevado número de pessoas que caminham de cabeça baixa. Se antes era uma prova de reflexão, dizia-se estar metida nos seus pensamentos, hoje a razão é bem diferente, não é um acto de introspecção, mas sim um acto de comunicação ou, tão somente, estar em sintonia com o mundo ignorando um momento não à sua volta.

Caminhamos, futuramente, para uma geração de mulheres girafas ou corcundas pelo simples facto de que o pescoço vai desenvolver um bócio traseiro que vamos querer olhar o céu e será, de todo, impossível!

O uso do telemóvel tornou-se num vício, numa droga social que relegamos as tarefas do dia a dia, banimos as conversas em grupo, as saídas e encontros sociais devido ao apego ao telemóvel....E não é para telefonar.... Infelizmente!
Podemos, até, passear nus na rua que só alguns se dão conta porque a larga maioria está de cabeça baixa, olhando para o telemóvel.

Ver crianças coladas a tablets e telemóveis nem falo ou melhor falarei noutra altura...

quinta-feira, 30 de março de 2017

Entenderam, homens? Espero ter ajudado

Afinal eu nasci para vos ensinar o caminho da felicidade.

Ouviram-me dizer que ia à Primark?

E ouviram-me dizer que ia atestar a cesta com umas coisinhas que precisava, não foi?
Acreditem, era só uma brincadeira e...sou mentirosa. Meia mentirosa, pois que, entrei naquela loja do diacho, agarrei no cesto, percorri o espaço, levei pisadelas, encontrões. Era um carrinho de bebé tão grande que parecia um autocarro, era um catraio que chorava e gritava que tinha fome e a mãe continuava a ver vestidos sem valorizar a birra, e os outros que se amofinem. Irritei-me. Larguei o cesto. Deixei as roupinhas. Cumássim era tudo supérfluo que roupa tenho que chegue. E meia-louca da vida por ter perdido um bocado do meu precioso tempo saí e nem olhei para trás.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Gaspar - o gato ocioso, gordo, emigrante e que arranha quem se aproxima

Gaspar é o gato madeirense que vive agora em Braga, mas já viveu no Porto. Gaspar é o gato que viaja, tipo caixeiro-viajante, sempre que o seu dono - o mê Bisalho - viaja.
Gaspar está velho, tem dez anos e passa o dia à janela a apanhar os raios de sol. É esquisito na sua alimentação, só come ração e fiambre. Está obeso.
Gaspar é um delator, conta tudo ao dono quando este, à noite, chega a casa. Além disso é ciumento. Que ninguém se aproxime do dono quando ele está presente.
Queria eu ter a vida de Gaspar!

Lindas, não são? E são minhas

Hoje encontrei-me com alguém muito especial daqui da blogosfera. E quando a vejo, ao longe, de ramo na mão, de sorriso rasgado, corri. Depois, fiquei sem jeito. A sério! Não me esperava!

Já nos conhecíamos por fotografia, por conversas, mas sempre à distância. E num relacionamento o contato físico é muito importante. E nós nunca nos tínhamos tocado. Nem olhado nos olhos.
Ora, eu sou uma rapariga que aprecia afectos, que gosta de tocar, abraçar as pessoas, beliscar e mordiscar (se possível e se me deixarem). E foi isso que aconteceu, exceptuando o beliscar e mordiscar (claro, não façam cenas).
Foi um lavar de alma, de desabafos. Uma manhã curta onde faltou o tempo para tanto que falar. E olhem que não estivermos caladas um décimo de segundo.

terça-feira, 28 de março de 2017

Acordei de olhos abertos. É um bom presságio


Vamilhá a ver se a boa disposição e os olhos abertos - sinal que estou viva e a mexer o dedo do pé, se mantêm até à noite ou se ainda mato alguém antes do adormecer por me ter tirado este sorriso, o 75 - o da satisfação - da cara.
Bom dia, minhas amigas e amigos. Que o vosso dia seja prenhe de alegria. E façam como eu: matem que lhes infernizar a vida, por que hoje é dia de ser feliz.

segunda-feira, 27 de março de 2017

A felicidade é como o telemóvel. Temo-la na mão e andamos à procura

Pareceu-me ouvir o telemóvel tocar. Não parece, toca mesmo. Levanto-me apressada e vou a correr à procura do dito que tocava sem parar. Não o encontro. Mas estava mais perto, percebia pelo tom do toque.
E tocava...

Até que dei de conta que andava de um lado para outro, como um mosca à procura da luz, com ele entre os dedos.
Tive-o sempre na mão e procurava-o.

Fez-me lembrar que acontece com a felicidade. Temo-la na palma da mão e procuramos. Camnhamos com ela entre os dedos, debaixo dos nossos olhos e não damos conta. E quando nos apercebemos, deixou de tocar como o telemóvel.

(Pronto, cuidado que as minhas "armonas" estão a saltitar como pipocas.)

domingo, 26 de março de 2017

Mas por onde andas tu, mulher!?

E eu respondo com uma pergunta: mas com este tempo de chuva, frio e baixa temperatura por onde posso andar?
Mas ando, ando a empacotar loiças, copos, panelas, armários, sofás, camas, colchões...
E nos intervalos vejo o movimento no shopingue.
E saí eu de casa pra isto! Vida de mãe não tira férias.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Na minha mala tem de tudo

Na mala de uma mãe cujo filho está emigrado mesmo sendo ali ao lado em Portugal Continental (para mim é como se estivesse na Austrália, tal é a sensação de lonjura) tem de tudo.
Ora, o Bisalho (para quem ainda não saiba "Bisalho" quer dizer pintainho em madeirense) manda-me uma lista de saudades, que é como quem diz comidas, para eu levar.
Assim, mesmo antes de colocar a roupa meto as saudades dele. É anonas, bolachas inglesas e palitos de cerveja. É fígado de novilho que levo já preparado) e milho para fritar. É milho para cozer com espada de cebolada. É bananas, é espigos...
Broas de mel, de coco, de manteiga...
Só depois disto tudo é que meto a roupa.

Onde cabe a roupa, pergunto também vocês, meus amigos, enquanto tamborilham os dedos na mesa e franzem o sobrolho?
Só acrescento que vamos dois, e só vai a mala de cabine que, na Transavia, tem o peso máximo de dez quilos.
Agora é aquele momento em que levantam as sobrancelhas e dizem: hããã!? Como?!
E nem pensem por um instante que vou andar nua e descalça.
Ah, e a minha filha, que faz e vende granola  da "gran'all"....(Correi ao feicebuque e encomendei), trouxe-me umas para levar que haviam sido encomendadas.
Agora podem pôr a mão no peito e abanar a cabeça de admiração.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Há quem ache bem mas há quem ache mal.

Numa reunião em que a presidente fazia-se acompanhar pelo seu filho bebé e, aproximando-se a hora da mamada do crianço pois já se ouvia os acordes musicais,  tipo guinchos, ela - a mãe-presidente de um conselho escolar com mais de cem docentes -  tira a mama do sítio, coloca-a à vista de todos, vai ao ovo tira o busico e continua a reunião com ele a mamar.
Ora, eu mulher de sessenta, arregalo os olhos e olhei para os colegas-homens que, de incomodados com a descontracção da presidente, baixaram a cabeça...

Há momentos em que preciso de cinco litros de café

Hoje é um desses momentos.

Mulheres e homens da minha vida e do meu coração, vocês sabem lá o medo que tenho de viajar de avião. Vocês nem sabem quantas vezes vou ao WC tal é a sensação de desconforto e o nervosismo que se instala nas tripas​!
Vocês meus amigos não acham que tenho razão quando digo que num mundo tão grande com tanta terra eu, rapariga dada a medos de avionar, nasce num pedaço que quase não figura no planisfério de tão pequeno que é, e ainda para piorar rodeado de mar todos os lados que é como dizer que para qualquer lado que me vire é sempre mar?

Vocês meus amigos e amigas a sorte que têm de poder meter as unhas no guiador do carro e comer alcatrão, que é como quem diz: andar sem parar, por essa estrada fora, porque eu se quiser sair da minha zona só de avião, de barco ou a nado mas já experimentei - a nado - e só avancei um bocadinho como daqui ali...e olhem, estou a apontar com o indicador de onde até onde...

Fotografia: Santa Cruz, vendo-se, ao fundo, o orioporto, arioporto, aroporto, araporte ou orioporto, qualquer uma quer dizer: aeroporto

terça-feira, 21 de março de 2017

Juro que vi mas ela não viu que eu vi

Sentada dentro do carro à espera da hora em que começa a ginástica e, como o carro estava virado para o passeio em frente da farmácia que fica ao lado do ginásio, presenciei este episódio.
Sem nada para fazer olhava para dentro da farmácia onde somente umas moscas voavam pois que doentes não havia nenhum e ainda bem. Nisto a doutora, já de bolsa a tiracolo para sair, sem bata, vai à prateleira tira uma embalagem de creme, desenrosca a tampa, espreme a quantidade equivalente a uma ervilha, das grandes, de creme na costa da mão, enrosca a tampa e vualá, coloca na prateleira para ser vendida e sai a massajar as mãos.
E eu a ver a cena, mas ela não me viu. 
Amanhã vou à farmácia e peço uma embalagem do dito creme e digo logo: "senhora doutora, não quero aquele que ontem tirou uma ervilha, das grandes, e deitou nas mãos". 
É muita lata! Daqui para a frente levo a balança para pesar tudo o que comprar na dita farmácia!

E, pronto, estalou o verniz

Eu não queria acreditar no que os meus olhos viam! Eu que perdi tempo da minha vida, da minha vida que é a modos que um carrocel, vai acima vem abaixo...
Não mereço, vocês sabem, pois conto aqui passo a passo a minha vida!
Julguei e mal aquilo que pensei ser a coisa certa, era o que esperava e digo que esperei tanto e agora acontece isto!?
Queria ser como aquelas mães de antigos alunos que tinham umas unhas de causar inveja até aos roedores. E, depois de muito pensar comprei o catalisador ou forno ou máquina de unhas de gel, como queiram chamar.
Mas as minhas unhas, malvadas do diacho, lascam. Leio sobre mulheres cujas aguentam quinze dias. Eu pergunto: não usam as mãos para trabalhar? Ou o defeito é das minhas. Será?
Se assim for não há volta a dar estas são as minhas unhas e não há tempo para mudar. Teria de renascer.
"Dilhemas", como se diz em madeirense puro, "dilhemas" de quem gosta e quer ter umas unhas como as que passam na televisão e baba só de ver!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Anda ver o mar e esfoliar as costas e os calcanhares nas pedras

Ohhhhhh, é de areia preta! Devem estar a dizer baixinho com ar de decepção! Pois é, não estamos nas Caraibas! Atão não sabem que a nossa pedra é basáltica? Nunca poderia dar areia amarela.
Mas é linda!
Ohhhhhhh, mas tem pedras! Ah, pois tem. Atão não gostam de esfoliar os calcanhares e o corpo? Não pagam por uma sessão de massagens com pedras quentes nas costas?
Aqui é de borla!
Vamilhá correr na praia...Se conseguirem!

Fotografia: Praia Formosa, Funchal, Madeira

Começo a ficar farta

Ando aqui numa de: vai-à-rua-entra-pa-dentro-olha-o-norte-olha-o-sul, numa de vigiar o tempo. É que ontem deixei a roupa no estendal da rua a secar ementes almocei.
Já estava enxombrada (como dizia a tia-velha), quer dizer: meia seca, e assim que cheguei vou vigiar e, estava novamente molhada (irra espirra) . Tirei da rua, coloquei no estendal interior e pela manhã olhei o céu, não vá o Pedrocas mandar baldes d´'água e eu estar desprevenida, mas começo a fartar de andar a vigiá-lo. Ainda há pouco, cabeça espetada pó ar, nuvens carregadas lá pó norte, o sol brilha cá em baixo.
Será que...? Ou será que não... ?
É melhor não me fiar no tempo. Vou mazé voltar a por a roupa cá dentro.
Ai vida esta de mulher a dias! E Moi-Même (a rais-parta da empregada ucraniana achou de ir de férias!) que não aparece há tanto tempo! É que eu e Moi-Même sempre eram duas a vigiar: uma vigiava o norte outra vigiava o sul. É que a minha cabeça parece um cata-vento. E, também começo a ficar farta dela!

domingo, 19 de março de 2017

No dia do pai lembro-me da minha mãe

Nunca chamei pai a ninguém. Não vivi com o meu pai, mas nunca me faltou a figura paterna.
Sou a mais nova de cinco filhos. A minha mãe tomou o controle da casa quando o meu pai emigrou. Passou dez longos anos longe de casa, regressou mais pobre do que quando emigrou e com umas ideias que não agradavam à minha mãe; uma delas era violência doméstica.
Eu nasci passados uns meses da separação dos meus pais.

Conseguem imaginar as dificuldades pelas quais a minha mãe passou por se ter separado do marido, mesmo sendo ele um agressor? Há mais de sessenta anos nenhuma mulher dava este passo. A minha mãe deu, pois não dependia do marido para sobreviver.
Tornou-se numa mulher dura. Não manifestava os seus sentimentos. Tinha de trabalhar para sustentar os filhos. E eu crescia sem um pai. Mas cresci. E hoje devo tudo à minha mãe e à minha tia-velha - pois que cuidou dos sobrinhos como se fossem seus filhos para que a minha mãe trabalhasse.

Pai? Não precisei de um, tive muitos. Super-protegida por toda a família tornei-me numa pessoa alegre, divertida que leva a vida a sorrir. Estimada e amada.
Esta sou eu, filha sem pai e com uma mãe que lutou para que eu crescesse sem precisar de um.
Por isso, no Dia do Pai lembro-me da minha mãe. É para ela que escrevo.
Obrigada, minha mãe por teres sido também o meu pai.